~Taynori Hunter~
Arredores de Toyama, Japão
12 de Março de 2029
05:08
Zaki acorda desanimado em seu quarto roxo ao ser despertado pelo despertador de seu celular, algo que, para ele, já é rotineiro. Sua expressão cansada, olhar desanimado e cabelo bagunçado dizia por si só: “Segunda-feira, de volta aos dias de trabalho, de volta aos dias cansativos”.
Ele se levanta da cama com calma, em seu devido tempo. Ainda com um pouco de sono, ele se esforça para se manter em pé, quase caindo com o próprio peso do corpo. Mas, assim que conseguiu se manter, ele sacudiu a cabeça, respirou fundo e, agora, pode seguir em diante com seu dia. O próximo passo é pegar as roupas de trabalho. Ele olha em seu humilde guarda-roupas duas portas marrom por algo, mas havia apenas roupas casuais de diferentes cores e estilos. Ele para e pensa por um instante, apertando os olhos e franzindo a testa, em onde estariam suas roupas formais. Até que, poucos segundos depois, ele se lembra de as ter lavado no domingo, como de costume. Com as calcinhas e meias as únicas coisas fáceis, ele as pega e deixa em cima de sua mesa, saindo de seu quarto logo em seguida. Ele desce as escadas, passa pela cozinha e chega na lavanderia, onde suas roupas já secas o aguardam na secadora.
Com as roupas limpas em mãos, ele sobe de volta para seu quarto, pega sua calcinha e vai direto para o banheiro tomar banho, pendurando suas roupas em ganchos de suporte antes de se despir e entrar debaixo do chuveiro. Durante o banho, ele começa a pensar, tentando lembrar das coisas para se fazer e colocando seus pensamentos no lugar, tudo para garantir que tudo dará certo.
Limpo, seco e com os pensamentos organizados, Zaki pega um absorvente e coloca na calcinha antes de vesti-la. Logo em seguida, ele coloca a calça e a camisa. Então, ele volta para o quarto, se senta de frente para sua mesa de maquiagem e coloca sua meia, cuidando de seu cabelo logo em seguida, aproveitando o enorme espelho na sua frente, garantido que esteja, no mínimo, apresentável.
Arrumado, a única coisa que falta fazer é sua marmita e, consequentemente, o almoço de sua mãe. Ele prepara Udon, arroz e carne de porco, colocando tudo em um pote e o fechando. Como a comida perderia toda a qualidade até o almoço, invés de deixar pronto para sua mãe, ele apenas deixa tudo pré pronto, com tempero, ingredientes e a quantidade correta água.. Tudo que Misa precisaria fazer é colocar no fogo. Sua marmita, por outro lado, teria que ser reaquecida no seu horário de intervalo, o que nunca lhe agradou, mas, infelizmente, ele não tem o luxo de poder ir em um restaurante.
Pronto para mais um dia, Zaki coloca seu sapato, pega sua bolsa e mochila e sai de casa. No caminho até o ponto de ônibus, ele caminha a rua deserta observando o céu rosado entre as enormes árvores cercando seu bairro, algo que ele não costumava ver com tanta frequência. De certo modo, Zaki sabia que o dia de hoje seria um dia especial, algo muito além da sua cirurgia. Uma energia positiva toma conta dele, fazendo que apenas mais um dia rotineiro se tornasse algo diferente, mesmo que fosse mínimo. Meia-hora depois, seu ônibus parou no ponto. Se curvando rapidamente para o motorista, Zaki o cumprimenta e, ao mesmo tempo, diz silenciosamente “bom dia”. Então, ele paga sua passagem e se senta em qualquer assento, contanto que haja uma janela para sentar coladinho nela, observando o mundo enquanto o ônibus segue seu caminho.
Após quase duas horas de viagem, ele finalmente chegou em seu destino: Hospital central de Toyama, seu local de trabalho. Um dos maiores prédios da região, sendo possível ver toda a cidade pelo terraço. Logo na entrada, Nana, que o espera enquanto mexe no celular, guardou seu celular e partiu em direção ao amigo, dando um gentil abraço e, sem qualquer aviso, um tapa nas costas da cabeça.
— Bom dia pra você também, puta! Pra quê isso??? — Zaki queixa-se enquanto esfrega as costas da cabeça.
— Ainda pergunta?! Eu devia é te deixar no chão com um chute, idiota. — Nana repreende. — Eu avisei que a gente ia conversar hoje. Mas minha vontade mesmo é de deixar minha mão falar! — Continua em um tom mais agressivo.
— Eu já pedi desculpas, não pedi?! — Zaki lembra.
— Eu não quero saber. Tu me mata de preocupação numa dessas. — Nana continua a repreender.
— Eu te falei que estava extremamente desconfortável andando com aquele pessoal. — Zaki lembra.
— Me avisasse! — Nana exclama.
— Todas as vezes que avisei, você me mandou me calar. E ai? Quer que eu faça o quê? Isso é culpa sua também! — Zaki argumenta irritado.
— Tá… TALVEZ eu tenha dito algumas vezes, ok… — Nana tenta se defender, mudando completamente seu tom raivoso para um tom calmo. — Mas você também tava querendo dar o fora dali muito antes de sequer sair do shopping. Você tem que dar mais chances pras oportunidades que a vida dá, cara. — Lembra, o aconselhando logo em seguida.
— Eu só queria um dia divertido entre nós, sem envolver gente desconhecida no meio. Só isso. — Zaki desabafa.
— Hm… falasse então. Eu deixava pra falar com o Satoshi outro dia. — Nana sugere.
— Já foi. Única coisa que posso lhe avisar agora é que você vai ter que pegar meu posto mais tarde. — Zaki avisa de forma despretensiosa.
— O que?! Por quê??? — Nana pergunta surpresa.
— Eu vou fazer a cirurgia, lembra? — Zaki a lembra. — Eu só vou fazer a pausa pra almoçar e vou direto para o hospital depois. Eu vou avisar o diretor e o gerente pra ver se alguém consegue chamar o Fumie ou o Jun pra pegar seu lugar. — Informa.
— Puta que pariu… Tá. — Nana resmunga. — Onde que vai ser? Dependendo onde for, eu te dou uma carona até lá. — Pergunta.
— No Fujikoshi. — Zaki responde.
— Pertinho. Tá, me avisa quando for sair que eu te deixo lá na porta. — Nana pede.
— Tá. Vamos, se a gente enrolar mais vamos ter que ouvir reclamação. — Zaki diz desanimado.
Zaki e Nana entram no hospital, iniciando oficialmente mais um dia de trabalho. Obviamente, ainda teriam que guardar bolsas e mochilas, mas, se houvesse uma emergência, com ou sem mochilas, alguém teria que agir. Por trabalharem em um hospital grande e largo, só Zaki e Nana não bastam para cuidarem de tantos pacientes, necessitando mais enfermeiros e enfermeiras para atenderem todas as alas. Com essa necessidade, Zaki e Nana dificilmente se encontram durante o trabalho, apenas durante o intervalo para o almoço e na saída.
12:35
Para a sorte da dupla, o dia está indo tranquilamente bem. Alguns pacientes receberam alta e poucos estão sendo internados. Vez ou outra alguém teve que sair correndo para ajudar algum paciente, mas foram coisas rápidas. Com o bater do intervalo, a dupla se encontrou no refeitório, onde esquentaram suas marmitas e se reuniram para almoçar. Infelizmente, o Udon de Zaki havia perdido bastante do seu gosto. Nana, por outro lado, optou por trazer arroz e carne invés de massas, o que foi bem mais fácil de esquentar.
— O dia tá indo melhor do que o esperado. — Zaki comenta antes de comer um pouco de seu Udon.
— Fale por si mesmo. — Nana diz de boca cheia, antes de engolir seu arroz. — Não é você que vai ter que pegar duas alas. — Discorda.
— O Fumie e o Jun não virão? — Zaki pergunta surpreso.
Colocando mais arroz na boca, Nana não consegue falar, mas responde balançando a cabeça negativamente.
— Droga… Sinto muito. — Zaki se desculpa de cabeça baixa, se sentindo um problema por jogar sua responsabilidade para Nana.
— Não esquenta. Eu vou pedir extra pro chefe depois. — Nana diz de boca cheia, antes de engolir. — É bom que ele pague, se não eu só vou cuidar de uma ala e ele que se vire com o resto. — Ameaçou.
— Vai pagar sim. Ele não tem culhões pra demitir enfermeiras e nem de sair do escritório dele. — Zaki comenta antes de comer.
— Assim espero. — Nana diz antes de comer mais.
Após o almoço, a dupla se encontra do lado de fora do hospital. Com a promessa de levar Zaki até o Hospital Fujikoshi, a dupla entra no carro de Nana e partem em direção ao Hospital.
Após seis minutos, Nana já estava com o carro parado na frente do hospital. Antes de Zaki sair do carro, Nana pega sua mão, chamando sua atenção.
— Ei, quanto tempo vai demorar essa cirurgia? — Nana pergunta.
— Me disseram que pode levar de uma semana a um mês. — Zaki responde, incerto da própria informação. — De qualquer forma, você pode levar minhas coisas pra sua casa? Quando estiver recuperado eu pego de volta. — Pediu.
— Hm… Tá. Pode deixar, eu guardo. — Nana confirma, mas desconfiada. — Só toma cuidado tá? Se encontrar algo muito suspeito, saia daí imediatamente. — Aconselha.
— Tá. Torça pra que eu não precise. — Zaki diz saindo do carro.
— Torcerei… Se cuida. — Nana se despede ainda suspeita.
— Você também. — Zaki se despede.
Enquanto Nana faz o caminho de volta para o trabalho, Zaki entra no hospital, indo direto para a recepção. Ele se aproxima do vidro para falar com a recepcionista.
— Boa tarde. Em que posso ajudar? — A recepcionista pergunta.
— Boa tarde. Vim para realizar a cirurgia de mudança de sexo. Eu me cadastrei no programa da DreamLand Labs. — Zaki responde.
— Rika Yato, correto? — A recepcionista pergunta.
— Uh… S-sim, isso. Como soube? Achei que precisava dos documentos. — Zaki pergunta surpreso.
— Nosso sistema sabe. Apenas pegue o corredor à esquerda. Um médico lhe atenderá. — A recepcionista informa.
— Obrigado… — Zaki agradece, suspeitando.
Seguindo as direções, Zaki chega em um corredor com paredes amarelas com apenas cinco pacientes, todes sentades em cadeiras aguardando a chamada do médico. Sem muito o que fazer, Zaki se sentou também. Mas, para sua surpresa e alívio, um médico saiu de dentro do consultório e chamou todes para dentro. Todes olharam confusos um para o outro, mas entraram sem questionarem.
O consultório, ao contrário do que estávamos pensando, não era um cubículo normal. Haviam separado uma parte do hospital para juntar vários consultórios em um, todos com várias máquinas.
— Por favor, deitem nas máquinas. — O Médico ordenou calmamente.
Sem questionar, todes deitaram nas máquinas, deixando uma máquina disponível para cada sala. A máquina por si só é estranha. Assemelha muito como uma maca, mas há todo um mecanismo em baixo, tubos conectando com a mesa vazia e há vários buracos que ninguém sabe o que seriam e qual era a utilidade.
Ao sair do consultório, o médico acionou um interruptor que ligou a máquina, fazendo uma barreira de vidro se levantar, prendendo todes na máquina. Então, um gás foi lançado, deixando todes leves, fraques, alguns até dormindo. Zaki acha aquilo tudo estranho. Mesmo dopado com o gás, sua mente ainda funciona, questionando se tudo aquilo que está acontecendo faz parte. Eventualmente, após inalar tanto gás, ele já não consegue sentir o próprio corpo, mas se recusa a dormir. Então, de repente, um líquido verde começa a sair de dentro de todas as máquinas. O líquido estranho começa a absorver o corpo, derretendo como se fosse nada. Zaki tenta escapar, mas sem qualquer força para fugir, ele apenas sucumbe ao estranho líquido.
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