~Taynori Hunter~
Antes de começar a ler, deixarei claro que esta versão de Metal OPS: Origens - Samantha Black é uma versão reescrita lançada exclusivamente para o livro "Luz Fosca - Escuridão Estendida". Com as vendas baixas, decidi deixar essa versão disponível aqui. Se você tiver interesse em ajudar, o livro está disponível neste link: Luz Fosca: Escuridão Estendida
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 1
Pinte de Vermelho
Hol, Noruega
12 de Julho de 2021
12:33
Samantha carregava seu namorado, Vogel, um homem alto, careca, barbado, rosto cheio de cicatrizes, usando uma camisa azul aberta por cima de uma camisa vermelha e usando calça azul, apoiado em seu ombro por uma estrada deserta. Ele perdera muito sangue de seu peito devido a um corte em seu pulso.
— Calma amor. Já estamos chegando no nosso grupo. Eles vão cuidar de você. — Samantha falou desesperada.
— Não vou conseguir sobreviver, já perdi muito sangue… — Vogel falou sofrendo de dor e com a voz falha.
— Não! Você vai sobreviver sim, aguente firme! — Samantha gritou.
Eles continuaram caminhando com muita dificuldade, mas, de repente, uma horda de zumbis surgiu do chão e correram atrás deles. Eles apertaram o passo, mas Vogel escorregou e caiu de cara no chão.
— Meu Deus! — Samantha gritou desesperada.
— Me deixe! Já estou perto do fim… Não torne isso pior pra você… — Vogel resmungou com dificuldade.
— Não, você não está! Vamos sair dessa. Não vou te abandonar! — Samantha retrucou em um misto de raiva e desespero.
Samantha pegou Vogel pelos braços, mas ele se soltou empurrando-a. Samantha o olhou confusa com os olhos cheios de lágrimas.
— Estou falando sério. Me deixe aqui e se salve! — Vogel vociferou.
— Não vou te abandonar aqui. Se você morrer, eu vou morrer junto! — Samantha ameaçou.
— Não desperdice sua vida comigo… VÁ! — Vogel gritou gemendo de dor.
— Eu te amo! Você é o único em que quero ao meu lado! — Samantha choramingou.
— Eu sempre estarei ao seu lado… Lembra da nossa… promessa? Nunca irei te abandonar! Nem nessa ou em outra vida… — Vogel falou lentamente, começando a ficar inconsciente.
— Vogel… — Samantha falou olhando para Vogel caído no chão enquanto tentava conter as lágrimas.
De repente, em um súbito ato de amor, Vogel se levantou, agarrou Samantha e a beijou ternamente.
— Eu lhe prometo. Nunca irei te abandonar. Estarei com você nessa e na outra vida… — Vogel falou suavemente, se esforçando para se manter em pé.
De repente, um zumbi que estava rastejando mordeu a perna de Vogel, o que o fez cair imediatamente.
— AHHH! Vá logo! — Vogel gritou para Samantha.
— Es… Está bem… Adeus, meu amor… — Samantha falou relutante e soluçando enquanto observava os zumbis se aproximarem.
— Isso ainda não é um Adeus… — Vogel deu suas últimas palavras compreensíveis, antes de gritar de intensa dor.
Os zumbis amontoaram em cima de Vogel enquanto ele gritava de dor, cada um arrancando um pedaço de sua pele com força como se ele fosse apenas uma refeição que acabara de sair do forno de um restaurante. Samantha queria correr, mas ficou paralisada olhando em absoluto terror para Vogel sendo devorado vivo. De repente, um zumbi pulou em cima dela pelas costas e mordeu seu rosto, mas ela consegue se soltar e foge para longe da horda.
Faculdade de Geilo, Noruega
20 de agosto de 2030
13:33
Samantha acordou levemente desnorteada no chão do banheiro. Ela se levantou e olhou no espelho, observando sua maquiagem borrada, seu cabelo roxo com sujeira e sua camisa roxa e calça preta molhadas.. Então, Ela sentiu algo escorrendo pelo seu braço. Ao levantar sua blusa, Ela viu seus pulsos cortados. De repente, uma mulher loira, vestindo camisa branca com um coração no meio e usando uma calça cinza, entrou no banheiro sem qualquer aviso, fazendo Samantha esconder os cortes com a blusa.
— Ei, Sam… O que foi, meu amor? — A mulher de cabelos loiros perguntou com um leve estranhamento.
— Oi May. Não foi nada. — Samantha disfarçou.
— Tá triste por que então? — Mayra perguntou a olhando com a sobrancelha levantada, desconfiada.
Sem saber o que responder para Mayra, Samantha abaixou a cabeça e começou a chorar. Mayra, então, a segurou e a abraçou.
Mayra normalmente visitava Samantha sem prévio aviso, normalmente das sete da manhã em diante. Samantha já estava acostumada a ver a mulher de longos cabelos loiros, corpo forte e alta em sua casa aleatoriamente. Porém, encontrar a mesma aparecendo de surpresa no banheiro da faculdade era uma novidade.
— Me conta o que houve. — Mayra insistiu enquanto segurava Samantha.
— Já faz nove anos que meu único amor se foi… Nunca vou encontrar alguém que realmente valha a pena como o Vogel. – Samantha choramingou.
— Isso já faz nove anos cara! Você tem que deixar o passado pra trás e pensar no futuro! — Mayra falou sugeriu indignada.
— Você acha que não tentei? Mas é impossível! Minha família me odeia e todos me criticam por causa de meu visual. — Samantha continuou a chorar, agora reclamando da sugestão da Mayra. — Sem falar que sempre estão me agredindo. — Terminou.
— Vou te falar uma coisa. Só idiotas sofrem Bullying! Quando você é radical, como eu, tu deixa na primeira. Na segunda, já ataca a cadeira na cabeça! — Mayra aconselhou falando e gesticulando como uma malandra durona.
— Não sei se funciona… — Samantha falou tentando segurar o choro, distraída pela sugestão bizarra de Mayra.
— Comigo funciona. — Mayra falou com a cabeça levantada, olhando orgulhosa.
— Mas essa saudade me corrói por dentro. Se ele estivesse aqui, talvez eu não tivesse que aturar meus pais até hoje. — Samantha falou entristecida, parando de chorar.
— Olha, daqui a pouco eu vou embora. Não quer ir pra minha casa hoje? Pelo menos só pra se livrar de seus pais. — Mayra perguntou carinhosamente.
— Sério? — Samantha perguntou surpresa.
— Você é minha melhor amiga. Como eu poderia deixar você assim? — Mayra falou sorrindo para Samantha.
— Obrigada May! — Samantha exclamou pulando nos braços da Mayra.
Samantha abraçou Mayra, mas, após alguns segundos, ela a empurrou.
— Okay, Okay. Pode parar com isso. Pega um pedaço de papel e se limpe. Vai ser pior se te verem com a maquiagem borrada. Vamos pra sala, temos uma prova pra fazer. — Mayra falou com pressa.
— Certo. Já estou indo. — Samantha falou enxugando as lágrimas com sua blusa.
Mayra saiu do banheiro primeiro, indo para a sala de aula. Enquanto isso, Samantha pegou um pedaço de papel e limpou sua maquiagem borrada. Depois Ela pegou outro para enfaixar seus cortes. Ela olhou para o espelho, mas, de repente, uma sombra apareceu atrás dela e rapidamente sumiu. Assustada, Ela se virou rapidamente.
— O que foi isso!? — Samantha perguntou apavorada.
Samantha correu para fora do banheiro e foi para a sala de aula.
Mais tarde, após fazerem a prova, Samantha e Mayra saíram da faculdade.
— Meu deus. Essa prova foi um saco! — Mayra exclamou aliviada.
— Tem vezes que penso que o nosso professor nos odeia. — Samantha falou dando uma risada sútil.
— Eu não penso diferente. Ele é louco! Isso até me deu fome. Quer ir na lanchonete antes de ir pra casa? Eu to com dinheiro aqui. — Mayra perguntou.
— Vamos! — Samantha aceitou sorridente.
Samantha e Mayra saíram da frente da faculdade e caminharam pela rua em busca de uma lanchonete, mas, no caminho, dois homens claramente alterados as pararam.
— E ai gatas. Gostei de vocês. Me passa seus números antes que eu mude de ideia. — Falou o homem calvo metido a malandro com metade do cabelo quase inexistente, nos olhando da cabeça aos pés.
— Melhor vocês desistirem. Não estamos com paciência pra idiotas como vocês. — Mayra alertou com um olhar sério.
— Saim logo da nossa frente! — Samantha falou contornando os homens.
Samantha e Mayra passaram pelos homens e continuaram caminhando em busca de um lugar para comer.
— Ih. Vai dar essa mancada mesmo? Vocês vão ver só, suas vagabundas! — Gritou o homem com os dentes tortos e uma terrível aparência de pervertido.
— Não liga pra eles. Vamos indo. — Mayra falou segurando a mão de Samantha enquanto andavam com mais pressa.
Elas continuaram caminhando, mas, ao olharem para trás, Elas viram os homens as seguindo.
— Que ótimo! Era só o que faltava! — Samantha falou com um leve tom de desespero.
— Calma, vamos despistar eles. Quando entrar em uma lanchonete, a gente tenta sair por outro lado. — Mayra falou confiante, olhando para frente o tempo todo.
— Tá certo. Tem uma na outra rua. Vamos naquela. — Samantha sugeriu.
Samantha e Mayra entraram na lanchonete virando a esquina. Frustrados, homens ficam esperando na saída.
— Vou ver se encontro uma saída. Pode pedir qualquer coisa pra mim. — Samantha falou se distanciando da Mayra.
— Tá. — Mayra concordou enquanto se sentava no balcão.
Enquanto Mayra pedia alguns lanches, Samantha vasculhava a lanchonete em busca de uma saída de emergência ou alguma janela, mas não encontrou nenhuma saída alternativa. Sem sucesso, Ela se sentou junto da Mayra no balcão.
— Não tem saída por aqui. Só pela frente. — Samantha sussurrou.
— Merda! Estamos fodidas! — Mayra xingou sussurrando, tentando evitar atenção desnecessária.
— Vamos tentar atravessar a rua quando sair. Talvez conseguimos evitá-los assim. — Samantha sugeriu.
— Tá. Pode ser que funcione. — Mayra concordou um pouco relutante.
Samantha e Mayra comeram seus lanches e deixaram o dinheiro na mesa. Ao saírem, os homens as agarram, mas elas se soltam e correm para atravessarem a rua. Os homens as perseguem, mas, de repente, um caminhão em alta velocidade os atropela e capota, deixando para trás uma enorme fumaça de sangue e um rastro gigante de sangue na estrada. Enquanto isso, Elas conseguem chegar no outro lado da rua são e salvas.
— Meu deus… Isso foi horrível! — Mayra gritou em choque.
— Apesar de ser horrível, eles mereceram. Estupradores nojentos! — Samantha falou sem um pingo de remorso, mas levemente abalada pelo que acabara de testemunhar.
— Vamos pra casa logo. Já vi demais por hoje! — Mayra falou puxando Samantha pelo braço, indo em direção para casa.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 2
Despreparo
Geilo, Noruega
20 de Agosto de 2030
14:00
Após presenciarem a morte dos estupradores, Mayra acompanhou Samantha até a casa dela em um bairro de classe média. Mesmo com a resposta fria que Samantha dera, era visível que ela não estava conseguindo conter o sentimento de pânico. Ao chegarem, Samantha se sentou no sofá da sala e começou a chorar. Mayra se sentou ao lado dela e a abraçou.
— O que foi, Sam? — Mayra perguntou preocupada.
— Você ainda pergunta o que foi?! Você viu o que aconteceu! — Samantha respondeu com a voz trêmula, abalada.
— Eu sei, aquilo foi pesado… — Mayra falou desviando seu olhar para o chão.
— Meu Deus, May. O que foi aquilo?! — Samantha falou ainda surpresa com o ocorrido.
— Não sei, mas só sei que estamos aqui graças aquilo. — Mayra falou grata segurando a mão da Samantha.
— Aquilo foi horrível! Eu não vou conseguir tirar aquela imagem da cabeça. Não quero mais uma coisa me atormentando! — Samantha falou agitada, voltando a chorar.
—Você já deveria ter superado a morte dele muitos anos atrás! — Mayra falou surpresa.
— Eu não quero superar. Eu quero morrer! Não aguento mais essa vida sem ele! — Samantha gritou com um nó na garganta enquanto as lágrimas deslizavam pelo seu rosto como uma cachoeira.
Mayra
abraçou Samantha mais forte e apoiou a
cabeça dela em seu ombro.
— Ele morreu por
minha culpa. Se eu tivesse conseguido me livrar daqueles zumbis… —
Samantha desabafou em prantos.
— Não foi sua culpa. Eram tempos caóticos aqueles. — Mayra tentou confortá-la enquanto acariciava seu cabelo.
— Eu devia ter morrido com ele naquele dia. — Samantha continuou a choramingar.
— Calma, Sam. As coisas vão melhorar. Acredite em mim. — Mayra falou carinhosamente.
— Espero que sim. Já não aguento mais! — Samantha falou continuando a desabar nos ombros de Mayra.
— Já está ficando tarde. É melhor eu ir. Seus pais não gostam muito de mim por aqui.
Mayra se levantou, mas, Samantha segurou sua mão e a olhou com os olhos cheios de lágrimas, como um cachorro abandonado.
– Fica. Por favor… — Samantha implorou.
De repente, um barulho de motor de carro surgiu do lado de fora da casa, ficando cada vez mais alto e próximo.
— São eles! Vai pelos fundos na cozinha. — Samantha falou surpresa e desesperada.
— Tá. Se cuida. — Mayra falou se apressando.
Mayra correu para a cozinha em frente a sala e sai pelos fundos.
Os pais de Samantha (Andrew e Leti) entraram em casa com algumas sacolas com alimentos e levaram para a cozinha, suspeitando da presença de Mayra na casa.
Samantha, rapidamente, enxugou o rosto e segurou o choro, tentando evitar contato direto com seus pais.
— Samantha? Tá em casa? — Leti perguntou gritando.
— To na sala. — Samantha respondeu.
— Aquela garota não esteve aqui, né? — Andrew perguntou descon-fiado.
— Não. Eu to indo pro meu quarto. — Samantha falou tentando disfarçar e se apressando para evitar contato.
— Tá. O almoço vai estar pronto daqui a pouco. — Leti avisou.
— Tá — Samantha falou se levantando do sofá..
Samantha correu para o seu quarto, trancou a porta, se jogau na cama e começou a chorar abraçada com o travesseiro. De repente, algo começou a alisar suas costas. Assustada, Samantha rapidamente olhou pra trás, mas não viu nada.
— O que foi isso?! Eu não consigo ter paz!!! — Samantha gritou apavorada.
Samantha se cobriu com suas cobertas e chorou até adormecer.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 3
Faculdade da Dor
Geilo, Noruega
21 de Agosto de 2030
08:23
Após se recuperarem do acidente com os estupradores, Samantha e Mayra se reencontram na porta da faculdade no dia seguinte para continuarem os estudos. Mais relaxadas, elas tentam sobreviver mais um dia, mas, evidente pelos olhares mortos das duas garotas, continuam abaladas pelo ocorrido.
— Boa tarde, Sam! — Mayra falou disfarçando a infelicidade com um falso sorriso no rosto e falsa felicidade.
— Se houvesse algo de bom… — Samantha retribuiu com o pior humor possível.
— O que foi? Ainda não se recuperou? — Mayra perguntou decepcionada, retirando o sorriso do rosto imediatamente.
— Não dormi bem. Tive pesadelos com aquilo. Pra piorar, sinto que algo anda me observando… — Samantha resmungou.
— Cara, você precisa de férias. Está enlouquecendo! — Mayra zombou.
— Quer saber? Vamos ir pra quadra estudar lá? Eu sei que ninguém vai lá mesmo. Preciso de um lugar vazio pra me concentrar. — Samantha perguntou evitando continuar naquele assunto, evidentemente sem um pingo de paciência.
— Vamos! — Mayra concordou levemente animada.
Samantha e Mayra entraram na faculdade e se dirigiram até a quadra. De repente, ao entrarem, as portas atrás delas se fecharam. Mayra, rapidamente, se virou e tentou abrir a porta, mas estava trancada pelo outro lado.
— Mas que merda! ABRAM ESSA PORTA!!! — Mayra gritou furiosa batendo na porta.
— Deve ser coisa daqueles idiotas do time de Aimball.* — Samantha comentou friamente.
— Então as fracassadas caíram direitinho. — Falou uma voz em um tom sarcástico.
Samantha e Mayra, rapidamente, se viraram e viram um homem de cabelo escuro curto com uma jaqueta azul do time de Aimball parado embaixo da cesta de basquete do outro lado da quadra.
— Drake!? O que você quer agora? — Mayra perguntou surpresa e enfurecida.
— Se veio me encher o saco, saiba que não estou de bom humor. — Samantha ameaçou friamente.
*Aimball: Esporte cujo objetivo é atingir pontos específicos do corpo do time adversário, impedindo que os jogadores atingidos sejam capazes de utilizar os membros do corpo atingidos. Ganha o time que incapacitar mais jogadores inimigos.
— Ah sim. Desculpa então. Ia brincar um pouco com vocês, mas respeito quem teve o dia ruim. Ainda mais quem não tem competência pra salvar o próprio namorado! — Drake provocou antes de começar a rir como quem acabara de soltar a piada do século.
Samantha fechou seus punhos pronta para triturar Drake no soco, mas Mayra a segurou em uma tentativa de controlá-la.
— Não vamos perder nosso tempo com esse idiota. Vamos pra algum lugar mais sossegado. — Mayra aconselhou tentando evitar que algo trágico aconteça.
Samantha ficou pensativa por alguns segundos, olhando com os olhos apertados para Drake. Mas, então, em um súbito fluxo de razão, sua mente mudou de ideia.
— Tem razão. Vamos. — Samantha concordou.
Samantha e Mayra foram até a porta dos fundos, no outro lado da quadra. Mas, de repente, ao pisarem no centro da quadra, um balde de ovos podres caiu sobre Samantha e a sujou dos pés a cabeça. Se sentindo derrotada, Ela soltou seus materiais, deitou no chão e começou a chorar. De repente, todas as luzes da quadra se acenderam e vários jogadores e lideres de torcidas apareceram atrás das arquibancadas e começam a tirar fotos e a rirem.
— HAHAHAHA! Eu sabia que você era ingênua, mas não a ponto de ser tão estúpida! Que garota otária! — Drake zombou rindo histericamente.
— QUAL É O SEU PROBLEMA?! VOCÊ É RETARDADO?! PRA QUE FAZER ISSO COM ELA??? — Mayra gritou furiosa.
— Eu gosto de humilhar vocês. Isso é tão divertido! — Drake falou continuando a rir.
Mayra pegou os materiais de Samantha e a ajudou a se levantar do chão.
— Por que eu ainda to viva? Pra ter que aguentar esse tipo de coisa? Se isso é vida, eu quero que acabe logo! — Samantha sussurrou com a voz trêmula.
— Calma, Sam. Vamos ir no banheiro para, pelo menos, tirar as gemas de você. — Mayra falou calmamente.
— Isso! Façam isso. Você fede! — Drake continuou a ofender Samantha enquanto ria de sua humilhação.
— Cale a boca! Isso vai ter volta! — Mayra ameaçou apontando na direção de Drake enquanto carregava Samantha.
Mayra ajudou Samantha a caminhar levando-a pelo ombro. Elas saíram da quadra em direção ao banheiro, mas, de repente, um forte estrondo ocorreu dentro da quadra e chamou a atenção das duas. Imediatamente, Samantha sentiu seu coração congelar.
— O que foi isso??? — Mayra perguntou espantada.
— Oh Deus, não… — Samantha falou surpresa, mas incrédula.
Samantha e Mayra correram de volta para a quadra e a encontram em chamas. Partes de corpos espalhados pelo chão, o suporte da cesta de basquete esmagando Drake e o fogo se espalhando mais e mais.
— Meu Deus… O que foi que eu fiz?! — Samantha falou em choque com o que acabara de testemunhar.
— Você não fez nada. Vamos sair daqui! — Mayra falou segurando a mão de Samantha.
Samantha e Mayra correram para fora da faculdade. No caminho, os alarmes de incêndio começam a soar, mas os extintores não funcionavam. Todos os estudantes fugiram das salas, mas alguns são pegos em explosões e pegam fogo, alguns ainda conseguindo correr com o corpo em chamas. Elas conseguem fugir, mas observam todo o prédio em chamas, incapazes de ajudar.
— O que foi que eu fiz… Eu condenei várias vidas inocentes… — Samantha falou com a voz trêmula, chorando e sentindo-se culpada.
— Você não fez nada! Alguma coisa deve ter entrado em curto lá. — Mayra falou olhando seriamente para Samantha, mas a mesma evitava olhares.
— Eu pensei em matar eles… E isso virou realidade! EU SOU UM MONSTRO!!! — Samantha gritou chorando.
Samantha começou a gritar e chorar descontroladamente, mas Mayra a segurou e a abraçou com força.
— Não, você não é! Minha Samantha não pensaria esse tipo de coisa. Isso tudo deve ter sido pura coincidência. — Mayra falou tentando confortá-la.
De repente, sirenes de ambulância, bombeiros e policiais vindas de longe começaram a se aproximar do local.
— Temos que nos esconder. Eles vão nos achar aqui. — Mayra falou com urgência, olhando para todos os cantos.
Mayra segurou Samantha pela mão e se enconderam atrás de um carro-forte com a sigla "DL" em sua carroceria.
— O que vamos fazer agora? — Samantha perguntou visivelmente perdida.
— Vamos pra minha casa. Vou te dar um banho e você vai passar a noite lá. — Mayra falou rapidamente enquanto olhava pelo canto do carro.
— Mas e meus pais? — Samantha perguntou surpresa.
— Pro inferno com seus pais! Eles não dão a mínima pra você mesmo. Vai ficar bem comigo. — Mayra respondeu olhando séria para Samantha.
— Tá. Tá. Acho que tem razão… — Samantha concordou duvidosa.
— Então vamos logo. Não aguento mais esse cheiro de ovo podre! — Mayra falou segurando na mão de Samantha e fugindo do local em direção à casa dela.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 4
Fugitivas da Morte
Geilo, Noruega
21 de Agosto de 2030
14:20
Após fugirem do incêndio na faculdade, Mayra levou Samantha para sua casa para tomar banho e descansarem enquanto esperavam a poeira abaixar. Ao chegarem, Mayra levou Samantha até o banheiro e retirou as roupas manchadas dela.
— Hmm… Belo corpo, gata. — Mayra brincou analisando o corpo de Samantha de cima para baixo, antes de encontrar algo que lhe chamou a atenção. —…Ei. O que é isso? — Perguntou.
Mayra segurou firme o braço de Samantha e encontrou cortes em seu pulso. Ela se sentiu entristecida, enfurecida e, ao mesmo tempo, traída.
— Samantha… — Mayra falou com os olhos arregalados para Samantha.
— Você sabe o porquê. Isso não é nem o começo do que já fiz. — Samantha tentou se justificar imediatamente, evitando o olhar da Mayra.
— Sam, você sabe que te amo e te valorizo muito. Eu me preocupo com você caramba! Não quero perder minha única melhor amiga! — Mayra falou entristecida.
— Não posso prometer nada. A dor da alma é maior que a física. Não aguento mais isso! — Samantha falou começando a chorar.
— Aguenta sim. Você durou até aqui e não é agora que vai desistir! — Mayra tentou motivá-la enquanto segurava suas duas mãos com força.
— Eu já desisti há muito tempo… Só estou aqui ainda porque minhas tentativas foram um fracasso. — Samantha admitiu, evitando novamente o olhar de Mayra.
— Você precisa mesmo de minha ajuda. Depois posso te dar uns antidepressivos. — Mayra falou olhando preocupada para Samantha.
— Antidepressivos? May, se antidepressivos funcionassem, eu já teria tomado. Não vai ser um remédio que vai me dizer que eu to bem. Ele não vai apagar minhas memórias e traumas. Não vai ser ele que vai dizer que a vida é um paraíso e que tudo será perfeito. NÃO É! — Samantha vociferou indignada subitamente, olhando com os olhos apertados para Mayra, que havia ficado em silêncio. — Desculpe por ser grossa mas, já estou cansada! — Terminou tentando se acalmar.
— Tudo bem. Compreendo… — Mayra falou com a cabeça baixa, pensativa. — Enfim. Vou pegar umas roupas pra você e depois vou fazer o almoço. Tome seu banho enquanto isso. — Terminou se retirando do banheiro.
— Tá. Obrigada. — Samantha falou antes de fechar a porta.
Mayra saiu do banheiro com as roupas sujas da Samantha. Enquanto isso, Samantha entrou no box do banheiro e ligou o chuveiro. Ao fechar a porta, ela encontrou um espelho logo à sua frente. Ela se olha e vê seu rosto manchado, sua maquiagem borrada, um pouco de ovo escorrendo em seu cabelo e cortes no ombro.
— Como eu terminei assim? Como eu cheguei a esse ponto? Uma garota alegre, linda, cheia de amigos e com um namorado, pra uma pobre infeliz, depressiva, sem amigos e implorando pra morrer… — Samantha lamentou para si mesma.
Samantha encostou sua cabeça no espelho e fechou os olhos.
— A Vida foi feita para os vivos. Eu já deveria estar longe disso há muito tempo… Por que Eu continuo tentando ser feliz, sendo que minha felicidade morreu nove anos atrás? Agora eu sou o exemplo de um fracasso na vida. Não consigo nem ao menos tirar minha roupa sozinha. — Continuou a se lamentar antes de desabar.
Samantha começou a chorar e a soluçar com a testa encostada no espelho. Ela se olha no espelho mais uma vez, mas, de repente, seu reflexo virou uma imagem escura com lágrimas de sangue, mandíbula pendurada por um fino pedaço de pele do rosto, cabelo molhado e um homem atrás dela.
Samantha gritou e se jogou no chão para debaixo do chuveiro. De repente, Mayra apareceu correndo para dentro do banheiro e entrou no box.
— Samantha?! O que houve? — Mayra perguntou preocupada e confusa.
— É o que eu te falei! Ele está atrás de mim! — Samantha gritou apavorada.
— Quem??? — Mayra perguntou começando a ficar assustada junto da Samantha.
— Vogel! Eu o vi de novo! — Samantha falou apavorada olhando para Mayra com os olhos arregalados.
— Onde? COMO?! — Mayra perguntou confusa.
— Eu o vi no banheiro da faculdade, Ele passou a mão em mim ontem de tarde, e agora ele apareceu de novo no reflexo do espelho! — Samantha falou trêmula, tentando ficar calma.
— Oh Deus… — Mayra sussurrou ficando mais calma, mas decepcionada. — Vai tomar banho. Eu deixei a nova roupa atrás da porta. Daqui a pouco está pronto a comida. Vai ser bom pra você relaxar e esquecer essas coisas. — Terminou no mesmo tom.
Mayra fechou o box e saiu, mas Samantha a chamou novamente.
— May… — Samantha gritou.
— Hm? — Mayra murmurou ao voltar para o box.
— Você acredita em mim, certo? — Samantha perguntou olhando entristecida para Mayra.
— …Não sei dizer. Você vê coisas que eu não vejo. Mas estou sempre a disposição pra ouvir o que você tem a dizer. — Mayra falou envergonhada e levemente entristecida, mas honestamente.
— Ah… Obrigada mesmo assim. — Samantha falou de cabeça baixa, triste, evitando o olhar da Mayra.
Em silêncio, Mayra saiu do banheiro e deixou Samantha tomando banho.
Deixando Samantha em paz por um momento, Mayra foi para a cozinha preparar o almoço. Ela ligou a TV e abriu a geladeira procurando o que fazer para o almoço.
— Agora vamos para a previsão do tempo de hoje. — Disse o âncora do noticiário.
— Hm? — Mayra murmurou com interesse.
Mayra pegou carne e alguns vegetais na geladeira e, logo depois, aumentou o volume da TV.
— No norte do país fará frio durante uma semana devido a uma leve chuva. Em Geilo e regiões do sul, haverá uma forte tempestade com uma grande chance de um furacão vindo do oeste. A previsão é que ele chegue em três dias. — Disse a mulher do tempo.
Mayra largou as coisas na pia e correu para o terraço. Lá Ela viu uma enorme nuvem escura cobrindo parte do mar ao oeste da cidade.
— Ai droga! Espero que o furacão seja mentira e não passe apenas de uma chuva pesada. — Mayra falou para si mesma, preocupada com o que viria.
Mayra correu para o banheiro procurando por Samantha, mas não a encontrou. Então, Ela foi para a cozinha e a encontrou olhando dentro da geladeira totalmente desatenta.
— Samantha, temos más notícias. — Mayra falou com urgência.
Samantha pegou uma latinha de refrigerante e fechou a geladeira, sem um pingo de preocupação.
— O que foi? — Samantha perguntou calmamente.
— Ouvi no noticiário que vai haver um furacão por aqui em algum momento. — Mayra falou rapidamente.
— Deus… O que vamos fazer? Não temos onde ir! — Samantha levemente chocada, mas conformada.
— De fato. E eu estou sem dinheiro até mês que vem. Sem chance de conseguir sair. — Mayra terminou, também conformada, mas com a evidente expressão de preocupação em seu rosto.
— Então fodeu! — Samantha expressou apenas encolhendo os ombros e levantando as mãos.
De repente, a campainha tocou.
— Deixa que eu atendo. Vai fazer o almoço. — Samantha falou indo direto para a porta.
— Mas… Eu não estou esperando ninguém. — Mayra falou confusa.
Samantha abriu a porta e encontrou dois homens de branco parados, eretos e sem nenhuma expressão, ambos tão parecidos que pareciam ser cópias exatas um do outro. Ambos brancos, carecas e usando óculos azul-escuro.
— Em que posso ajudar? — Samantha perguntou um pouco nervosa com a presença dos homens.
— Samantha Black? — Perguntou um dos homens.
— Sim…? — Samantha respondeu se questionando como eles sabiam o nome dela.
De repente, algemas eletrificadas foram colocadas nas mãos de Samantha sem qualquer aviso ou sinal.
— Mas que…! — Samantha tentou falar antes de ser silenciada.
— Você está presa! — Falou um dos homens, neutro.
Os homens pegaram Samantha pelos braços, a jogam em um camburão e fecharam as portas.
Mayra correu para fora tentando resgatar Samantha, mas os homens já haviam partido com o camburão, levando Samantha para longe.
— SAMANTHA!!! — Mayra gritou desesperada.
— MAYRA, ME AJUDE!!! — Samantha gritou o mais alto que pôde.
— Eu vou te buscar! Não importa o que aconteça! — Mayra gritou enfurecida correndo atrás do camburão.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 5
Laboratório Anti-Almas
Algum lugar da Noruega
21 de Agosto, 2030
14:56
Após ser capturada pelos homens de branco, Samantha tentou escapar do camburão dando chutes e socos na porta, mas nada funcionou. Incomodados, um dos homens foi para a parte de trás do camburão e amarrou as pernas de Samantha com uma corrente.
— Quero ver continuar fazendo barulho. — Falou o mesmo homem.
— Me soltem! Eu não fiz nada!!! — Samantha gritou tentando se soltar.
— Você tem algo que nós queremos! Lord Kifflom não aprovaria sua fuga. — Falou o motorista.
— Quem diabos é Kifflom? — Samantha perguntou confusa enquanto continuava a tentar se libertar.
De repente, o homem chutou a barriga de Samantha e, logo depois, chutou o rosto, a apagando imediatamente.
Alguns
minutos depois, Samantha começou a voltar a si lentamente
enquanto estava sendo levada pelos homens para
dentro de um prédio.
— Q-Que lugar é
esse? — Samantha perguntou tentando reciocinar.
— Cale-se! — Gritou um dos homens a segurando.
Um dos homens acertou um soco na cabeça de Samantha, a fazendo desmaiar mais uma vez.
Após alguns minutos, Ela acordou em uma cama dentro de uma cela. Ela se sentou, olhou em sua volta, se levantou e andou até a porta. Observando o lado de fora, Ela viu vários prisioneiros dentro de celas iguais a dela.
— Meu deus… Onde eu estou? — Samantha falou tensa.
De
repente, um homem de branco surgiu na frente da porta e
gritou para outro.
—
Senhor, Ela acordou! — Gritou o guarda.
— Tragam-na para cá! — Gritou o outro guarda ao longe.
O guarda abriu a cela e outro apareceu para ajudar. Eles amarram as mãos de Samantha e a carregaram até um terceiro homem, um velho vestido de branco com um estranho cabelo espetado dos lados e careca em cima.
— Quem são vocês? O que querem comigo?! — Samantha perguntou gritando e tentando se soltar.
— Eu sou o Doutor Auchwitz. Esses são Roy e Chess, os homens que te trouxeram para cá. Bem-vinda a DreamLand Labs! — Auchwitz se apresentou com bastante entusiasmo.
— DreamLand…? Vocês não são os fabricantes de Antidepressivos!? — Samantha perguntou intrigada.
— E de muitos outros remédios! — Auchwitz respondeu entusiasmado.
— Quem são essas pessoas? O Que estão fazendo? — Samantha perguntou trêmula, começando a chorar de medo.
— Maioria das pessoas daqui são criminosos. Pessoas que foram contra o governo. Nós temos o direito de fazer experimentos com eles! — Auchwitz falou com gosto, orgulhoso de suas ações.
— E é isso que faremos com você! — Roy falou neutro.
— O QUÊ?! — Samantha gritou surpresa e assustada.
— Levem-na para a sala de cirurgia! — Auchwitz ordenou.
Roy
e Chess levaram Samantha para a sala de cirurgia e
Auchwitz os acompanhou. Samantha tentou se
livrar dos guardas freneticamente, mas foi em vão. Seu coração
estava batendo forte como tambores.
— Pra
que vão fazer isso?! EU NÃO FIZ NADA! NÃO MEREÇO ESSAS COISAS!!!
— Samantha gritou apavorada.
— Você vai entender tudo quando chegar lá. — Auchwitz falou calmamente.
Eles chegaram em um longo corredor cheio de janelas de vidro dando visão para as salas de cirurgia.
Enquanto caminhavam, Samantha observou todos os médicos e cientistas fazendo os experimentos em pessoas vivas, ouvindo gritos de dor de cada cobaia.
— Deus… Vocês são loucos! — Samantha gritou enojada.
— Chegamos. Coloquem-na mesa! — Auchwitz ordenou.
Assim
que chegaram na sala de cirurgia, os dois
brutamontes colocaram Samantha na mesa como
se fosse apenas um saco de lixo. Eles tiraram as
algemas das mãos dela e a deixaram esticada, prendendo
seus braços e pernas na mesa.
— Por favor!
Não façam nada comigo! Eu sou inocente! — Samantha gritou
desesperada.
— Sabe, depois do incêndio na faculdade, uma das equipes da DreamLand investigaram o local. — Auchwitz falou se aproximando da mesa e olhando diretamente nos olhos da Samantha.
— Mas a culpa do incêndio não foi minha! — Samantha gritou.
— Pode não ter sido, mas o que encontramos lá leva diretamente a você! — Auchwitz falou com um sorriso demoníaco no rosto.
— O QUÊ?! — Samantha gritou surpresa, sentindo seu coração congelar brevemente.
— Encontramos um rastro paranormal indo diretamente para você. Você deve ter algum poder com ligação com os mortos e vou tirar isso de você! — Auchwitz falou continuando a sorrir.
— Eu não tenho nada!!! — Samantha gritou se agitando freneticamente na mesa.
Samantha
tenta se livrar da mesa, mas Chess a empurrou
e Roy injetou sedativo em seu pescoço, a
fazendo parar imediatamente.
— Acredite.
Isso vai mudar o mundo. — Auchwitz falou sorrindo e colocando
seus dedos contra os dedos da outra mão.
— Mas… — Samantha tentou falar antes de começar a ficar inconsciente novamente.
— Que comecem os experimentos! Não espere sair daqui com vida. — Auchwitz terminou se distanciando da mesa.
Auchwitz saiu da sala e fechou a porta. Enquanto isso, Roy pegou uma seringa e posicionou perto do pescoço de Samantha.
— O… O que vão… Fazer…? — Samantha tentou falar com sua mente se apagando com o sedativo.
— Não se preocupe. Isso vai acabar logo. Ninguém vai sentir sua falta. — Roy falou friamente.
Roy
injetou uma dose de injeção letal no pescoço de
Samantha. Sentindo o veneno entrar, Ela começou a fechar seus
olhos lentamente.
— Adeus… Mayra. —
Samantha deu suas últimas palavras.
Por
fim, não havia mais nada além de escuridão.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 6
Meu Mundo
Desconhecido
Tempo indefinido
Samantha acordou deitada no chão em um lugar sombrio, em meio a escuridão infinita com o céu cheio de nuvens cinzas carregadas de raios que navegavam de nuvem para nuvem. Ela olhou desesperadamente para todos os lados, mas não vê ninguém.
— Deus… Onde estou? Tem alguém ai? — Samantha gritou apreensiva na esperança de que alguém aparecesse.
Samantha se levantou do chão e observou o local ao seu redor. Ao virar para trás, Ela vê um homem de cabelos vermelhos com listras brancas, seu rosto deformado em carne viva e cheio de vermes. Ela tropeça e cai no chão assustada ao tentar se afastar e cobre o rosto, amedrontada e tremendo.
— FIQUE LONGE DE MIM!!! — Samantha gritou.
— Olá! Tudo bem? — O homem falou em um tom amigável e com boa dicção.
— Huh? — Samantha murmurou confusa.
Samantha bisbilhotou abrindo um pequeno espaço entre os dedos e olhou diretamente para o homem desfigurado.
— Q-Quem é você? Estou no inferno? — Samantha perguntou amedrontada.
— Hm… Talvez. Depende. Eu sou… Espera. Deixa eu tirar essa coisa. — O homem falou ainda em tom amigável antes de colocar a mão em seu rosto.
O homem colocou a mão no rosto e o retirou, revelando seu verdadeiro rosto por trás da máscara macabra. Um rosto branco, com olhos verdes, lábios vermelhos brilhantes, bochechas rosadas com maquiagem e cabelos rosados que chegavam até seu pescoço.
— Wow… Você é bonito… Ou bonita. — Samantha elogiou constrangida e surpresa.
— Obrigado, eu acho. Meu nome é Jackie Taker. Sou o protetor deste lugar. — Jackie falou fazendo uma reverência se inclinando para Samantha e colocando sua mão direita em seu peito.
— Protetor? — Samantha perguntou confusa.
Jackie estendeu sua mão para Samantha, que ficou o encarando sem saber o que fazer, até que, finalmente, a segurou e se levantou.
— Parece meio confuso Mas vou ser rápido e direto. Essa é a Nuvem das Almas. Lugar onde as almas menores vem parar depois de morrem.
— Morrem…? — Samantha falou confusa até que, segundos depois, ela entendeu.
Samantha abaixou sua cabeça e colocou as mãos nos ombros com uma expressão de tristeza.
— Quer dizer então que… Realmente estou morta…? — Samantha perguntou entristecida.
— De fato. Achei que já tinha caído a ficha. — Jackie confirmou surpreso.
— Bem… É que não era isso que esperava… — Samantha assumiu entristecida.
— Esperava encontrar um lugar no céu com uma porta gigante dourada levando para um lugar cheio de anjos? — Jackie adivinhou como seu já tivesse ouvido isso antes.
— Algo assim. — Samantha concordou.
— Bem, você está confundindo com Lacrious.* Lá somente grandes almas podem entrar. — Jackie tentou esclarecer com bom humor, mas apenas deixou mais perguntas.
— Lacrious? Nunca ouvi falar. — Samantha perguntou lhe olhando extremamente confusa.
— Nenhuma religião na terra conhece esse lugar. Confundem como o lugar onde as pessoas boas vão parar. Mas não é bem assim. — Jackie continuou a esclarecer dúvidas.
— Ah… Entendo. — Samantha mentiu. — Mas e Deus? — Perguntou.
— Não existe Deus. O que dizem ser um Deus, é nada mais nada menos que os humanos. Se você se referia ao criador, está falando da Deusa. — Jackie respondeu dando uma leve risadinha.
— Deusa? — Samantha perguntou ficando cada vez mais confusa.
— Deusa Naomi* é a criadora de tudo. Dos mundos e dos humanos. Porém, ela deixou o nosso planeta em nossos cuidados para que nada o destrua. Mal sabia ela que os próprios humanos podem destruir sua bela criação… — Jackie respondeu levemente decepcionado.
— Mas se os humanos são Deus… — Samantha tentou argumentar antes de ser interrompida.
— Por favor, não confunda. Humanos podem criar vida e também destruir. Podem mudar a natureza e ter influência sobre ela. Pode criar paz e guerras. Curas e doenças. — Jackie esclareceu, falando com calma e com clareza.
— Assim como deus… uau… — Samantha expressou como se sua cabeça estivesse explodido com tal informação.
— Você tem muito o que aprender aqui. — Jackie falou com um olhar seguro do que diz.
— Afinal, o que é esse lugar? — Samantha perguntou calmamente.
— A Nuvem das Almas abrigam tudo que seu coração guarda. Se você teve felicidade, seu mundo aqui será feliz. Se foi triste, seu mundo será triste. Tudo aquilo que você fez, será trazido para cá. Sejam ações boas ou ruins.
Samantha olhou em sua volta e não viu nada além de escuridão.
— Mas meu mundo é tão vazio! — Samantha exclamou.
*Lacrious (Nome provisório usado nas primeiras versões): Reino celestial de A Lenda Eterna.
*Deusa Naomi (Nome provisório usado nas primeiras versões): Deusa suprema de A Lenda Eterna.
— Porque sua vida foi vazia! Aconteceu algo? — Jackie perguntou preocupado com Samantha.
— Bem… Eu perdi meu namorado. — Samantha respondeu indiferente.
— E desde então, sua vida tem sido vazia, certo? — Jackie perguntou.
— Algo assim. — Samantha respondeu.
— Você desistiu da vida antes mesmo de chegar a morte. Por isso seu mundo é assim. Você não teve em que se prender, já que seu único motivo de viver se foi. — Jackie tentou esclarecer.
— Aliás, cadê ele? — Samantha perguntou tentando ignorar o esclarecimento de Jackie.
— Vogel? — Jackie perguntou.
— Sim! Ele mesmo! Como sabe? — Samantha falou animada antes de perguntar.
De repente, Jackie se apoiou no ombro da Samantha e falou em seu ouvido.
— Ele não está aqui. — Jackie sussurrou neutro.
Samantha se afastou de Jackie e o encarou com uma expressão de raiva, os raios nas nuvens ficando mais intensos.
— COMO ASSIM ELE NÃO ESTÁ AQUI?! — Samantha gritou.
— Ele nunca veio pra cá. Ele está atrás de você! — Jackie respondeu indiferente.
— Como?! — Samantha perguntou vociferando.
— Parece que sua alma fugiu para ficar com você. — Jackie respondeu tranquilamente.
— Sabia! Então todos aqueles acontecimentos foram realmente ele! No fundo, ele ainda queria me proteger… — Samantha falou sorridente antes de entender o está acontecendo e mudar completamente seu humor. — …Pena que ainda não posso tê-lo. — Terminou entristecida.
Samantha se deitou no chão e usou seus braços como travesseiro.
— Não me resta nada além de ficar aqui, no meu vazio. Pelo resto da eternidade…
Jackie se sentou perto da Samantha e começou a acariciar sua cabeça enquanto a olhava.
— Ou, pode voltar ao seu corpo, obter sua vingança e trazer Vogel para cá. — Jackie sugeriu sorridente.
— O que?! — Samantha perguntou surpresa, com os olhos arregalados.
— Vem. Se levanta dai. — Jackie falou.
Jackie e Samantha se levantaram do chão. De repente, um círculo de luz surge no chão vazio.
— O que é isso? — Samantha perguntou assustada.
— Sua passagem pra voltar ao seu corpo. Se quiser, é claro. — Jackie respondeu amigavelmente.
— Sério?! Mas como isso? Você tem esse direito? — Samantha perguntou surpresa e desconfiada.
— São raras as exceções. Eu ainda estou vivo. Meu corpo tem o poder de se conectar com os mortos e dar vida a eles. Mas ele não sabe metade do que eu sei. E de acordo com as regras, pessoas com coração vazio podem voltar a vida pra tentarem ter algo em seu mundo. Seja felicidade, tristeza, dor ou ódio.
— Certo! Então voltarei! — Samantha falou confiante de sua decisão.
Samantha correu para a luz, mas Jackie a chamou.
— Espere! Tenho que te dar isso. — Jackie falou, estalando seus dedos logo em seguida.
De repente, uma luz dourada brilhou em volta do pescoço da Samantha e um colar com um coração preto surgiu da luz.
— O que é isso? — Samantha perguntou surpresa.
— É um colar de almas. Permite que você desperte seu verdadeiro Eu e pode aprisionar almas malignas. Use isso para capturar Vogel. — Jackie falou calmamente.
— Certo! — Samantha falou confiante.
Samantha se preparou para entrar na luz, mas Jackie a chamou novamente.
— Mais uma coisa. — Jackie chamou.
— Hm? — Samantha murmurou.
— Não deixe se abalar. Quanto mais infeliz você ficar, mais pessoas vão morrer por sua culpa. E por favor, não conte nada sobre isso para o meu corpo, ok? — Jackie aconselhou e pediu como favor.
— Ok! Obrigada por tudo! — Samantha agradeceu com um sorriso sincero no rosto.
Samantha entrou na luz e seu corpo começou a desaparecer lentamente junto da luz até que, finalmente, ela sumiu completamente.
— Até daqui a pouco, Samantha Black. — Jackie falou antes de desaparecer junto com aquele mundo.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 7
Tempo de Mudanças
23 de Agosto de 2030
11:05
De volta ao seu corpo, Samantha despertou em um lugar completa-mente escuro. Ela tentou se levantar, mas bateu a cabeça em um teto metálico. Tentou rolar para os dois lados, mas percebeu que estava em um lugar muito apertado. Então, tentou ir para frente, mas bateu em algo que se moveu mas permaneceu preso.
— Hm… E se…
Samantha se encolheu
na parede atrás dela e se impulsionou direto na parte
fraca, revelando ser uma portinha. Ela se arrastou
para fora e se encontrou em um
necrotério. Vários sons de tiros e explosões ecoaram
por todo a sala,
mas não era possível saber de onde estavam vindo.
—
Caralho… Onde eu to? Que merda está aconte… —
Samantha se
questionou antes de ser surpreendida.
De repente, um
soldado chutou a porta do necrotério e apontou
um rifle M4A1 para Samantha. Mas, de
repente, uma faca atravessou a cabeça do Soldado e um
homem com cabelos rosados,
óculos, rosto maquiado, usando uma blusa roxa, calça verde
e segurando uma pistola apareceu atrás
do soldado morto.
—
Huh? Quem… — Samantha
tentou perguntar confusa e apavorada, mas foi interrompida.
— Não temos tempo. Esse lugar vai abaixo daqui a pouco! — O homem alertou com bastante pressa.
O Homem puxou Samantha pelo braço e fugiram do necrotério por um longo corredor cheio de encanamentos, caixas de madeira, cilindros de gás e um elevador no fim do corredor. De repente, a porta do elevador se abriu e três soldados saíram de dentro. O homem empurrou Samantha para trás de uma caixa e disparou contra os soldados com sua pistola, acertando três tiros certeiros na cabeça de cada um.
De repente, luzes
vermelhas surgiram dos corpos e
voaram em direção a eles. O homem desviou,
mas as luzes foram em
direção ao colar de Samantha, sendo
absorvidos pelo colar.
—
Mas que… — Samantha
falou assustada.
— Como você… — O homem tentou perguntar, olhando de forma suspeita para Samantha.
De repente, os
canos começam a vazar
gas e, então, explodem. O homem pegou
Samantha pela mão e correram para dentro
do elevador, conseguindo fechar a porta a tempo e a caminho da
saída.
—
Quem é você? — O
homem perguntou intrigado.
— Samantha Black… Você? — Samantha respondeu desconfiada e assustada.
— Jackie Taker. Agente paranormal da Metal Ops. Você me é um pouco familiar… Já te vi antes? — Jackie perguntou com um evidente olhar de dúvida.
— Não… Eu acho. Você também me é um pouco familiar. — Samantha respondeu também lhe olhando com dúvida.
— Bem, pelo menos achei a pessoa certa. — Jackie falou para si mesmo, aliviado.
— O quê? — Samantha perguntou virando sua cabeça rapidamente para Jackie, intrigada com sua afirmação.
A porta do elevador se abriu
na recepção do prédio. Eles veem o lugar cheio de corpos de
soldados mortos e tudo em chamas, pilares caídos
e paredes destruídas, tudo pronto para desabar.
—
Temos que sair daqui rápido! Sua amiga está esperando do lado de
fora e tomando conta de qualquer soldado que entrar. —
Jackie falou
apressado, saindo do elevador primeiro.
— Minha amiga?! — Samantha perguntou surpresa, com os olhos brilhando de felicidade.
Sem qualquer aviso, Samantha
correu em direção à saída e Jackie
tentou segurar seu braço, mas não conseguiu a
alcançar. Ao se aproximar da saída, um camburão entrou
de ré no prédio e soltou quatro soldados fortemente
armados e um soldado vestindo uma armadura pesada, com
placas de ferro por toda a armadura, cobrindo os coletes que estão
por baixo.
—
Oh droga… — Samantha
sussurrou se afastando lentamente da saída, olhando apavorada os
soldados a sua frente.
— SAMANTHA!!! — Jackie gritou.
Um dos soldados tentou acertar uma coronhada em Samantha, mas ela aparou o ataque e, ao contra-atacar, uma granada saiu de sua mão e caiu no meio dos soldados. Então, ela empurrou o soldado e fugiu, deixando a granada explodir, matando os quatro soldados menos o de Armadura pesada.
—
Uau,
como eu fiz isso? —
Samantha
perguntou impressionada para si mesma, olhando para sua mão.
—
Vocês não sairão vivos daqui!!! —
Gritou o soldado
com armadura pesada.
O Soldado pegou uma metralhadora pesada M60E6 e começou a disparar contra Samantha e Jackie, mas eles pegaram cobertura atrás da mesa de recepção.
Jackie puxou
uma espada de cristal e disparou
um raio de cristal
no soldado, o paralisando.
—
Enche ele de granadas! —
Jackie ordenou.
— Hã…? Ah! Tá! — Samantha falou levemente confusa, mas conseguindo entender o recado.
Usando seu novo poder,
Samantha jogou dez granadas em volta do soldado.
Jackie cessou o disparo
de raios assim que as
granadas explodiram, matando o soldado e ainda
empurrando o camburão para fora do caminho.
—
Vamos! — Jackie
ordenou pulando por cima da mesa.
Jackie e Samantha correram para a saída. Ao saírem, o prédio explodiu atrás deles, os empurrando com força na direção de um carro estacionado do outro lado da rua.
Samantha ficou
desnorteada por alguns segundos, mas, ao recuperar a
visão, viu Mayra inclinada olhando diretamente para
ela com um sorriso.
—
M-Mayra? — Samantha
perguntou com a voz fraca.
— Você tá viva!!! — Mayra gritou de felicidade.
Sem qualquer aviso, Mayra
agarrou Samantha e deu um abraço
apertado. Samantha abraçou de volta, mas, ao encostar
nas costas de Mayra, ela sente algo grosso. Ela olha e
vê um rifle AKS-74U.
—
Mayra… — Samantha
falou preocupada.
— Eu disse que iria te resgatar. Não deixaria minha melhor amiga morrer. — Mayra falou sem um pingo de arrependimento, mantendo o sorriso em seu rosto.
— Isso é lindo, mas precisamos ir pra minha casa. Tenho muito o que conversar com vocês. Entrem no carro! — Jackie ordenou com pressa, indo direto para seu carro.
Samantha e Mayra entraram no carro de Jackie e foram embora. Enquanto isso, várias viaturas da polícia e do exército norueguês começaram a cercar o prédio da DreamLand que, após alguns minutos, desmoronou.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 8
Seu Sangue Derramado
Algum lugar da Noruega
23 de Agosto de 2030
13:20
Após fugirem da DreamLand Labs, Jackie levou Samantha e Mayra para seu apartamento, um lugar simples, pequeno, organizado, limpo, mas com uma parede cheia de fotos e rabiscos com várias anotações.
— Então esse é seu esconderijo…? — Mayra perguntou levemente decepcionada.
— Por enquanto. É questão de tempo. — Jackie respondeu calmamente enquanto deixava as chaves na mesinha de canto.
— O que são essas… — Samantha tentou perguntar antes de ser interrompida por um forte odor.
Ao levantar o braço para
apontar para o mural de fotos, Samantha sentiu
um mal cheiro fortíssimo vindo dela. Com um
olhar de nojo, ela abaixou o braço.
—
Ugh… Jackie, posso tomar um banho em seu banheiro? Estou fedendo! —
Samantha
perguntou inojada.
— É um favor que você faz para você e para nós. Pode ir. É na porta à direita. — Jackie falou indiferente.
— Obrigada. — Samantha agradeceu indo em direção ao banheiro.
— Depois eu levo umas roupas pra você. — Jackie falou calmamente enquanto se sentava em seu sofá.
— Quê? — Mayra falou surpresa.
— Mas… quê? — Samantha falou surpresa, olhando de forma estranha para Jackie.
—: Relaxa. Vai lá tomar banho. Só não liga a água quente. — Jackie avisou enquanto se encostava no sofá e repousava a cabeça.
— Por que? — Samantha perguntou.
— Estou tendo problemas com o aquecedor e com o ar-condicionado. Parecem que podem até explodir se ligar essa droga. — Jackie respondeu um pouco irritado.
— Certo, entendi. — Samantha falou antes de se retirar.
Samantha foi ao
banheiro e deixou Jackie e Mayra na sala. Mayra,
sem muito o que fazer, se juntou a Jackie no sofá.
—
Então… Quem é você? —
Mayra perguntou
tentando puxar assunto, mas envergonhada.
— Como assim? Você sabe quem sou. — Jackie respondeu confuso.
— Quero dizer, o que você faz? Quem você é realmente? — Mayra perguntou.
— Sou vice-líder do exército Metal Ops. Vim para cá em busca de novos membros. — Jackie respondeu neutro, como se não fosse grande coisa.
— Membros? — Mayra perguntou interessada.
— Estamos criando um novo exército e precisamos de pessoas que não tenham medo de morrer em busca de trazer paz ao mundo. — Jackie respondeu, novamente, neutro, como se não fosse nada importante.
— Ah… entendi… — Mayra falou perdendo o interesse instantaneamente. — E já achou? — Perguntou.
— Talvez… Acho que achei duas ainda. — Jackie falou com um pouco mais de entusiasmo, olhando diretamente para Mayra.
— Hm…? — Mayra murmurou suspeita.
— Achei incrível sua atitude de procurar alguém como Eu para ajudar a resgatar sua amiga. E ainda acho mais interessante o poder que sua amiga possui. — Jackie falou gentilmente.
— Poder?! — Mayra perguntou espantada.
— Parece que ela consegue ter contato com os mortos. Além disso, absorver almas. Vocês não gostariam de entrar no exército? — Jackie perguntou calmamente.
— Hm… Não sei. Isso não me parece algo certo… — Mayra respondeu relutante.
— Relaxa. Vou deixar você pensar. Vou pegar umas roupas pra sua amiga. — Jackie falou calmamente enquanto se levantava com dificuldade do sofá.
Jackie foi
até seu quarto, pegou algumas roupas em
seu guarda-roupas e foi até o banheiro, deixando as roupas em
cima de uma cadeira perto da porta. Ao
voltar para sala, Mayra está em pé de frente
para o mural olhando as fotos.
—
Quem são essas pessoas? —
Mayra perguntou
intrigada.
— Líderes, chefes e alguns donos de algumas das empresas da Dreamland Labs. Estou tentando desvendar o que eles estão fazendo e quem são os donos disso tudo. — Jackie respondeu calmamente.
— Ahem — Samantha chamou a atenção.
Jackie
e Mayra olharam
para
trás e viram
uma nova Samantha,
vestindo uma blusa
cropped por cima de um vestido preto de couro vinil e um corpete
preto.
—
Oh Deus… Samantha? É você mesmo? —
Mayra perguntou
impressionada.
— Você tá de brincadeira comigo, né?! — Samantha perguntou para Jackie com uma expressão não tão contente.
— Foi o que eu tinha! Nunca que eu ia te dar minhas melhores roupas! — Jackie respondeu de forma rude.
De repente, a
porta da frente foi
arrombada, assustando todos no apartamento. Então, Andrew
e Lita surgem apontando pistolas para o Jackie.
—
PARADO! — Lita
e Andrew gritaram com autoridade.
— Mas que… — Jackie falou surpreso.
Jackie pegou
sua pistola, mas Andrew disparou
em sua mão, o desarmando.
—
PAREM! — Samantha
gritou desesperada.
— Samantha?! Finalmente te encontramos! — Lita falou animada, mas com sua atenção voltada para Jackie.
— O que pensa que estão fazendo!? — Samantha gritou furiosa, mas amedrontada.
— Esse homem nojento te sequestrou! E ainda por cima, é procurado pelo governo junto com os amigos dele! — Andrew falou com seriedade.
— Ele não fez nada de errado. Ele me salvou! — Samantha esbravejou.
— Não podemos desobedecer ordens maiores. Todos que forem contra, serão mortos! — Lita afirmou com seriedade no olhar.
— Inclusive pessoas que levam minha filha pro mal caminho. — Andrew falou friamente.
Andrew apontou
lentamente a arma para Mayra, enquanto Lita
continuava apontando para Jackie. Mas, de
repente, Samantha correu em direção a Mayra e se
usou como escudo na frente dela.
—
Saia daí, Samantha! —
Andrew insistiu.
— Não vou deixar vocês matarem minha melhor amiga! — Samantha falou se engasgando com a garganta fechando, começando a chorar.
De repente, o colar começou
a piscar uma luz branca extremamente rápido.
—
Huh? O que é isso? —
Samantha perguntou
para si mesma enquanto pegava o colar.
Jackie começou
a fungar. Imediatamente, ele conseguiu identificar o forte
cheio de gás vazando pelos canos do aquecedor.
—
Isso é… CARALHO! SE ABAIXEM! —
Jackie gritou.
Jackie jogou
Samantha e Mayra no chão. Por reflexo, Lita e Andrew
dispararam contra eles,
mas erraram os tiros. De repente, o
aquecedor e os canos pelo apartamento explodiram,
pegando Lita e Andrew na explosão, queimando parte do corpo
deles e destruindo a cabeça de ambos.
—
MÃE! PAI! NÃO!!!! —
Samantha gritou,
começando a chorar imediatamente.
— Esses eram seus pais?! Mas que recepção… — Jackie ironizou.
Rapidamente, eles
se levantaram do chão e pegaram suas
coisas.
—
Temos que sair daqui. O prédio vai arder em chamas bem rápido! —
Jackie ordenou
enquanto já corria para a porta.
Jackie, Samantha e Mayra
fugiram desesperados do
prédio pelas escadas até chegarem a
rua. Lá fora, eles
observam o prédio sendo consumido pelas chamas rapidamente,
eventualmente matando quem ainda estava lá dentro.
—
Não podemos mais entrar ou sair de um lugar sem colocar fogo nele? —
Mayra brincou.
— Meus pais… — Samantha choramingou de cabeça baixa.
— Sinto muito por isso. — Jackie falou friamente.
Sem qualquer aviso,
Mayra segurou Samantha e deu um
abraço nela, mas Samantha se soltou de seus braços e a
empurrou.
—
Não quero abraço. —
Samantha falou
irritada, mas ainda entristecida.
— Hum…? Tá bom então… Que estranho. — Mayra falou se afastando e cruzando os braços.
— Eu disse pra você não tomar banho quente! — Jackie esbravejou.
— Eu não tomei! Foi o Vogel! Ele está destruindo a cada dia mais a minha vida! — Samantha se defendeu imediatamente.
De repente, um trovão ecoou
por toda cidade como uma bomba.
—
Que ótimo, agora vai chover! —
Samantha esbravejou.
— Temo dizer que talvez seja algo pior… — Mayra comentou preocupada.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio 9
As Coisas Que Ela Disse
Algum lugar da Noruega
23 de Agosto de 2030
14:01
Após fugirem do prédio em chamas, Samantha, Mayra e Jackie entra-ram no carro e fugiram daquela rua para um lugar mais seguro. No caminho, começou a chover um pouco forte.
— Pra onde vamos agora? — Mayra perguntou arfando.
— Vamos pra casa do meu namorado. Ele pode nos ajudar. — Jackie respondeu neutro.
— Namorado? — Samantha perguntou desconfiada.
— Você é gay?! — Mayra perguntou animada e com um sorriso bobo estampado no rosto cansado.
— Sério que vocês só perceberam agora??? — Jackie perguntou indignado e surpreso.
— Eu achei que você era um homem afeminado! — Mayra respondeu rindo.
— Eu já tava suspeitando um pouco. Agora já devo ter uma ideia do que deve ser a tal “roupa especial”. — Samantha respondeu neutra.
— Pra alguém que perdeu os pais, você está muito tranquila. — Mayra falou ainda sorridente, ficando desconfiada no meio de sua fala.
— Não quer dizer que eu estou feliz! Eu não gostava muito deles, sempre me tratavam mal… Não quero falar sobre isso. — Samantha retrucou, desviando seu olhar para a janela.
— Tá… — Mayra falou, também desviando seu olhar para a janela.
— Enfim… Como esse seu namorado pode nos ajudar? — Samantha perguntou tentando puxar assunto, mas sem muito interesse na resposta.
— Ele é médico e também faz parte da minha equipe. — Jackie respondeu neutro.
— Ah… Ok então… — Samantha falou desanimada, encostando a cabeça na janela.
— Espero não explodir outra casa. — Mayra comentou, também desanimada.
A chuva começou a enfraquecer conforme eles continuavam indo ao leste. Após cinco horas de viagem, eles chegaram na entrada de um prédio velho e acabado. Jackie desligou o motor, saiu do carro e abriu a porta para as garotas, as mesmas saindo de pressa do carro entrando no prédio para evitar a chuva. Jackie seguiu em frente subindo as escadas e elas apenas seguiram.
Após subirem três andares, elas chegaram na entrada do apartamento. Jackie bateu à porta e um homem baixo, branco, corte de cabelo emo espetado e roupas extremamente chamativas abriu a porta para elas.
— JACKIE! — John gritou animado.
— Oi, John! — Jackie falou disfarçando sua animação.
Sem qualquer aviso, John se jogou nos braços de Jackie e se abraça-ram, terminando o momento de carinho com um beijo.
— Awwwn, que lindo! — Mayra falou com um sorriso bobo no rosto.
John se soltou
do Jackie e observou as garotas paradas na sua
porta.
—
Então…
Quem são as garotas de rua? —
John perguntou
olhando para Jackie.
— EI! — Samantha exclamou.
— Ei mesmo! Essa roupa que ela está usando é a do nosso aniversário de namoro! — Jackie falou dando um tapa no ombro de John.
— Conhece elas? — John perguntou com um olhar sério enquanto esfregava o ombro atingido.
— Sim. Essas são… hm.… — Jackie tentou apresentá-las, mas havia esquecido o nome completo delas.
— Mayra Maya, senhor! — Mayra falou fazendo uma reverência militar.
— Samantha Black. — Samantha falou indiferente.
— Isso ai que elas disseram. — Jackie falou.
— Certo… O que trazem vocês aqui? — John perguntou sério.
— Precisamos de um lugar pra ficar. Meu apartamento pegou fogo e a polícia nos descobriu. — Jackie resumiu a situação.
— Caramba! Podem ficar então. — John falou espantado olhando para Jackie. — Eu vou fazer um café. Podem ficar à vontade! — Terminou se retirando.
— Certo. Eu fico de olho nelas. — Jackie brincou.
— Certo! — John gritou indo para a cozinha.
Enquanto John vai para a cozinha e deixa Jackie e as garotas na sala, Elas se sentam no sofá para descansar.
— E então? Já pensou? — Jackie perguntou olhando sério para Mayra.
— Em que?… — Mayra perguntou sem ideia alguma do que ele estava falando. — Ah, aquilo. Não, não quero. — Respondeu lembrando daquele assunto.
— Pensou em que? — Samantha perguntou confusa.
— Eu e o John somos membros do exército Metal Ops. Estamos procurando pessoas que não tenham medo de morrer tentando trazer paz ao mundo. Queremos formar um único exercito apenas com esses tipos de pessoas. Querem entrar? — Jackie explicou como se não fosse grande coisa.
— Não!/Sim! — Mayra e Samantha responderam ao mesmo tempo
Imediatamente, as duas começam a se encarar com olhares diferentes.
— O que? Como você pode simplesmente dizer sim?! Você sabe o que está fazendo??? — Mayra perguntou indignada.
— Eu quero isso! Não ligo se eu morrer ou não. Se meu sacrifício ajudar a trazer um mundo melhor, eu não me importo de contribuir.
— Mas… Mas… — Mayra tentou continuar, mas começou a ficar vermelha de raiva. — Quer saber, pra mim já deu. — Terminou se levantando e saindo pela porta.
— O que deu nela? — Jackie perguntou despreocupado.
— Mayra, espera! — Samantha gritou se levantando do sofá.
Samatha correu atrás de Mayra, descendo depressa pelas escadas do prédio. Na saída, Ela encontra Mayra, encharcada na rua pela chuva que havia ficado mais forte, dando sinal para um taxi.
— O que foi? Por que saiu daquele jeito? — Samantha perguntou enfurecida.
— Você não percebe, né? Não percebe o que eu faço por você. Não sabe o quanto te amo. Não sabe o quanto me sacrifico pra ser boa pra você. Não sabe o quanto eu me esforço pra fazer você feliz. Você não percebe nada! — Mayra reclamou com a garganta se fechando e os olhos enchendo de lágrimas que estavam sendo levadas pela chuva.
— É claro que eu percebo! — Samantha falou nervosa.
— Então por que você não para de tentar se matar?! Caralho, Samantha. EU NÃO QUERO PERDER VOCÊ! — Mayra gritou furiosa.
— Mas…
— Mas o que? Simplesmente não dá! Eu dei o máximo de mim pra te proteger. Mas pelo visto, não é o suficiente! — Mayra continuou a reclamar.
— May, eu sei o que você fez por mim e eu admiro muito isso! Você é minha melhor amiga e sempre vai ser. Mas, eu quero ser alguém pelo menos uma vez na vida e essa é a minha chance de começar! — Samantha se explicou lentamente, mas evidentemente nervosa.
— Jogando sua vida fora? Esse é o jeito de você ser alguém? Então tá. Vai lá. Adeus, Samantha. — Mayra falou furiosa, mas se sentindo ferida e com um olhar de dor muito evidente.
Um taxi parou na frente de Mayra e, sem perder tempo, ela abriu a porta e tentou entrar, mas Samantha a puxou e lhe deu um beijo como ultimato, mas Mayra a empurrou.
— ADEUS, Samantha. Faça um favor para você mesma e, pelo menos, saia do país. Não seja pega pelo tornado. — Mayra aconselhou furiosa, falando lenta e pausadamente.
— Tornado?… — Samantha falou pensativa.
Sem paciência, Mayra entrou no taxi e deu sinal para sair. O motorista, então, começou a acelerar. Desesperada, Samantha correu atrás.
— ESPERA! MAYRA!!! FICA, POR FAVOR!!! — Samantha gritou enquanto corria pela rua atrás do taxi.
Com muita dor no coração e desabando em lágrimas, Mayra fechou a janela do taxi na tentativa de silenciar os gritos da Samantha. Na sua tentativa de alcançar o taxi, Samantha tropeçou em um buraco na rua coberto por água. Sem esperanças, Ela se ajoelhou e começou a chorar e a socar a água.
— Mayra, volte! — Samantha choramingou.
De repente, o colar começou a piscar. Samantha olhou para frente e viu o taxi indo para um cruzamento.
— Não… Não não NÃO!!! MAYRA, SAI DAÍ! — Samantha gritou e sinalizou em uma tentativa falha de chamar sua atenção.
Samantha se levantou e correu até ela. Mas, de repente, um raio acertou o taxi em cheio, causando um forte clarão na rua. De repente, um caminhão com carregamento de gasolina acertou o taxi, fazendo os dois capotarem e o tanque vazar, cobrindo o asfalto com gasolina.
De repente, outro raio acertou o caminhão, explodindo o caminhão e tudo em sua volta.
— MAYRAAA!!! — Samantha gritou o mais alto que pôde, seu coração congelado e sentindo vários sentimentos ao mesmo tempo.
Samantha correu até o taxi e encontrao o corpo de sua melhor amiga carbonizado, ensanguentado e cheio de pedaços de vidro pelo corpo. Ela tentou atravessar o fogo para pegá-la, mas Jackie surgiu por trás de Samantha e a puxou para longe.
— Não faça isso! Já acabou. Não se pode fazer mais nada por ela. — Jackie aconselhou neutro.
— Por que isso? Por que tudo de ruim só acontece comigo? Já não bastava meus pais, agora minha melhor amiga?! — Samantha falou furiosa desabando em lágrimas.
— Você sabe quem é o culpado. — Jackie a lembrou.
— Sim… Eu sei quem é… e Eu vou destruí-lo! — Samantha falou furiosa, mas, dessa vez, determinada.
Samantha fechou
sua mão no colar e o apertou com toda sua
força. De repente, ela sentiu seu coração para de bater e olhou
para Jackie com os olhos arregalados, vazios e assustados.
Segundos depois, caiu morta no chão.
—
Samantha?! Samantha! Acor… —
Jackie gritou
enquanto a segurava nos braços.
De repente, Jackie sentiu um vento forte e gelado passando por ele e indo em direção ao oeste. Além disso, notou as poças de água se mexendo e algumas até sendo atingidas por algo grande. Samantha partiu em busca de terminar isso.
— Já sei o que você está planejando. Você não vai fazer isso sozinha! — Jackie falou confiante olhando para o oeste.
Metal OPS: ORIGENS – Samantha Black – Episódio Final
Não Há Ninguém Como Você
Fedje, Noruega
23 de Agosto de 2030
22:32
Após a morte de Mayra, Jackie pegou o corpo de Samantha e a colocou deitada no banco de passageiros em seu carro. Então, Jackie e John se dirigem a Fedje, ao oeste da Noruega, possível local para onde a alma de Samantha foi.
Ao chegarem, eles encontraram o mar agitado, nuvens carregadas com raios poderosos e uma forte ventania.
— Tem certeza que ela veio pra cá? — John perguntou duvidoso.
— Eu consigo sentir a alma dela. Ela está aqui perto. — Jackie respondeu confiante.
— Pra que ela viria pra cá? — John continuou a duvidar.
— Não sei. Mas acho que tenho uma noção. — Jackie continuou confiante.
— Seria? — John perguntou.
— O Namorado dela. Ouvi a Mayra dizendo que a Samantha está amaldiçoada pelo espírito do namorado. Por isso todos esses acontecimentos. — Jackie explicou.
— Ainda bem que elas não ficaram na minha casa. — John falou com os olhos arregalados, surpreso com a resposta.
— Escroto! — Jackie insultou John enojado com seu comentário. — Vem, vamos ajudar ela. — Falou saindo do carro.
Jackie saiu do carro e checou se sua pistola estava em seu bolso, mas percebeu que John permaneceu no carro, assustado.
— VAMOS! — Jackie vociferou.
— QUÊ? Como vamos poder ajudar?! — John perguntou confuso.
— Venha e eu te mostro. — Jackie falou e gesticulou com a mão sinalizando para John ir junto.
— Mas eu vou molhar meu cabelo e minhas roupas! — John reclamou.
— Vem logo, caralho! — Jackie ordenou começando a perder a paciência.
— Ah… Tá certo! — John falou desanimado.
John saiu do carro e acompanhou Jackie até o topo de um barranco.
Ao chegarem, eles viram o mar agitado e um tornado enorme se aproximando, indo diretamente na direção deles.
— Deusa… — Jackie falou chocado. — Então é por isso que ela veio para cá. Não podemos deixar o corpo dela aqui. Se algo acontecer, ela pode morrer e não voltar! — Alertou.
— Quer que eu faça algo? — John perguntou.
— Tire o carro daqui. O esconda em algum lugar bem protegido. Eu vi um estacionamento vindo para cá. Esconda o carro lá e volte. — Jackie ordenou.
— Certo! — John falou neutro correndo em direção ao carro.
John correu até o carro e dirigiu em busca do tal estacionamento. Enquanto isso, Jackie ficou para trás buscando uma solução para desfazer aquele tornado.
— Certo… Vejamos… — Jackie falou para si mesmo enquanto encarava o tornado.
Jackie puxou sua espada e retirou seu colar do seu pescoço. Então, colocou a pedra de seu colar dentro de uma fresta na espada e a levantou. De repente, uma luz vinda do céu abriu as nuvens densas e iluminou a espada.
— Vejamos se isso funciona ainda. — Jackie falou com um olhar sério.
Usando o poder de sua espada, combinado com a energia da pedra das almas, o vento mudou de direção, formando um tornado verde em volta de Jackie. Ele aponta a espada em direção ao outro tornado e o tornado de almas cercou o outro, o deixando imovel no mar.
— Espero que isso o contenha por tempo suficiente… — Jackie falou esperançoso.
Enquanto isso, no lado dos mortos
Samantha voou pela cidade em busca de Vogel, mas, de repente, uma forte luz verde surgiu no horizonte e a cegou temporariamente.
— Mas que… O que foi isso? — Samantha perguntou para si mesma, surpresa com a tal luz.
Samantha continuou a voar em direção a luz. Ao se aproximar, ela sentiu uma força sombria ficando cada vez mais forte. Então, Ela acelerou seu voô em direção a essa força, até encontrar um tornado verde de almas no meio do mar.
— Mas o que é isso? Quem é responsável por isso? — Samantha perguntou chocada e furiosa, sem saber o que fazer.
De repente, Jackie surgiu atrás de Samantha.
— Sou eu. Meu corpo está te ajudando. — Jackie falou calmamente.
— Como? O que é aquilo??? — Samantha perguntou desesperada por respostas.
— Aquilo são almas que se arrependeram de seus atos maldosos e estão ajudando a conter o mal. Vogel está lá dentro, sendo impedido por eles. — Jackie explicou.
— Quer dizer que… — Samantha tentou raciocinar, mas foi interrompida.
— Se entrar lá, tenha certeza que vai conseguir sair. Pois se Vogel destruir sua alma, você ficara congelada para sempre. Sem chance de poder voltar ao seu corpo. — Jackie alertou, mostrando um pingo de preocupação.
— Hm… Certo… — Samantha falou encarando o tornado como se fosse o próprio diabo à sua frente. — Me deseje sorte. — Terminou em um tom neutro.
— Sério? Você tem essa coragem? — Jackie perguntou surpreso.
— Meu país depende de mim. Os mortos dependem de mim. Farei o que for preciso pra garantir a paz. — Samantha falou com seriedade no olhar e em sua voz.
— Certo! Vá! — Jackie falou com um sorriso confiante.
Samantha correu para dentro do tornado, mas ficou assustada pelo seu interior ser diferente do lado de fora.
Coberto por pura escuridão, chão feito de raios, água e nuvens negras dominando toda a área, o interior do tornado era a própria crueldade de Vogel em forma fisica.
— SAMANTHA! Finalmente nos encontramos novamente! — Vogel falou animado, sua voz ecoando por todo o tornado.
— Vogel? Onde você está? — Samantha perguntou calmamente, olhando freneticamente ao seu redor.
— Eu não sei! É muito escuro aqui dentro! Tente me achar. Estou com medo! — Vogel falou mudando imediatamente sua animação para desespero.
— Certo… — Samantha falou nervosa.
Samantha caminhou com os punhos fechados pelo vasto campo aberto de raios e nuvens. A cada passo que ela dava seu colar começava a piscar cada vez mais forte. De repente, Vogel pulou em Samantha pela sua direita e a derrubou no chão. Mas aquele não era o amor que Ela se lembrava. Ela o viu em uma forma distorcida. Seu corpo se retorcia, a cabeça sendo devorada por vermes enormes estava pendurada por um pouco de pele de seu pescoço e sua imagem alterava entre uma névoa escura e um corpo humano ensanguentado cheio de mordidas.
— Você não sabe o quanto senti saudades de você! — Vogel falou animado com uma voz grossa e distorcida.
Vogel tentou beijá-la, mas Ela virou a cabeça paro lado tentando desviar.
— SAI DE CIMA DE MIM! — Samantha gritou.
Desesperada, Samantha chutou Vogel de cima dela, o fazendo cair de costas no chão. De repente, todas as nuvens sumiram.
— Por… Por que fez isso? Não sente falta de mim? — Vogel começou a choramingar confuso.
— Sinto falta do MEU Vogel! Você não é ele. Você não é nem metade do que ele foi! — Samantha falou em um tom frio.
— Mas… Eu sou ele! Eu não mudei! — Vogel insistiu.
— Mudou… E Você arruinou minha vida! — Samantha gritou furiosa, mas derramando algumas lágrimas.
— Eu só queria te proteger! — Vogel se defendeu.
— Proteja a si mesmo! Você fodeu minha vida! Destruiu tudo! — Samantha continuou a gritar.
— É assim que você retribui meu favor? Eu vi tudo que fizeram contigo. Todas as pessoas que te humilharam durante toda sua vida e te fizeram chorar. Acha que eles não mereciam isso?! — Vogel perguntou começando a ficar irritado e sua voz mais distorcida.
— Ninguém tem o direito de matar. Nem mesmo você! — Samantha falou furiosa.
— Ingrata… Se eu não posso tê-la, ninguém mais vai ter! — Vogel exclamou.
De repente, o corpo de Vogel começou a vazar fumaça escura até explodir, arremessando Samantha para longe com a explosão. Ao se levantar, Ela viu uma criatura encapuzada, segurando uma foice de lâmina vermelha e envolto por esferas derramando gosma preta. O interior do tornado mudou para uma fumaça roxa e Ela se viu pisando em rostos ensanguentados de almas que tiveram o mesmo destino que Vogel. Mas, mesmo com a mudança brusca, Samantha não pareceu abalada.
— Então, esse é você… Eu não deixarei você destruir o mundo! — Samantha vociferou determinada.
— Talvez em outra encarnação! — Vogel tentou desmotivá-la, sua voz ecoando como vinte almas presas em um único corpo.
Vogel abriu uma fenda no chão com sua force, um portal para o mundo dos vivos.
Lado dos Vivos
As nuvens no céu começam a ficar vermelhas e o tornado roxo. De repente, uma fenda surgiu no céu e uma gosma preta caiu no mar. Então, o mar ficou agitado, até que, de repente, um crânio gigante de água, semelhante à de um humano, surgiu no mar e disparou uma poderosa rajada de água, abrindo um prédio ao meio.
— Mas que… O que é isso?! — Jackie falou surpreso e irritado.
De repente, John voltou correndo com algumas armas.
— Parece que cheguei bem a tempo. Escondi o carro em um estacionamento subterrâneo. — John falou arfando.
— Certo. Precisamos destruir essa coisa! — Jackie falou com urgência.
— E tem alguma ideia de como vamos? — John perguntou absoluta-mente perdido.
— …Pra ser sincero, faço nem ideia. — Jackie admitiu.
De repente, vários tentáculos de água saíram do mar e atacaram o tornado de almas, o quebrando e libertando o tornado roxo de sua trava.
— QUÊ?! Mas como!? — Jackie gritou surpreso e furioso.
— Estamos fer-ra-dos! — John falou brincando, mas com o medo evidente em sua voz.
Lado dos Mortos
— Você não tem ideia do que está fazendo?! — Samantha ralhou.
— Tenho. Estou fazendo o que você mais desejou: Morte a todos! — Vogel lembrou.
— Então foda-se o meu desejo. Eu não vou deixar você fazer isso! — Samantha gritou.
Samantha criou uma granada em sua mão e jogou em Vogel. Mas, ao explodir, nada aconteceu.
— Hahahaha! Acha mesmo que um objeto do mundo dos vivos vai me deter? Estupida! — Vogel zombou.
Vogel atacou horizontalmente com sua foice, mas Samantha se jogou no chão para desviar. De repente, mais três foices surgiram das costas de Vogel e atacaram verticalmente, mas Samantha desviou rolando para longe.
Ao tentar puxar de volta, uma das foices ficou presa no chão. Rapidamente, Samantha a roubou e jogou de volta em Vogel, perfurando seu pescoço, o ferindo, mas não sendo o suficiente para detê-lo.
— Contra isso você não é imune! — Samantha exclamou com um pingo de felicidade.
— E seu mundo não é imune ao meu caos! — Vogel falou neutro.
Vogel abriu vários portais acima dele e várias foices surgiram de dentro, mas Samantha conseguiu desviar de todas correndo e dando pequenos pulos para trás. Logo em seguida, Ele atacou horizontalmente com sua foice, mas Samantha se abaixou. Então, Ele atacou com as duas foices de suas costas, arriscando um ataque por trás da Samantha e puxando as foices para seu corpo, mas Samantha desviou se jogando no chão e rolando por baixo das foices. Ao levantar, Samantha tentou pegar outra foice. Mas, de repente, uma terceira foice surgiu velozmente debaixo dela, a atingindo em cheio e a arremessando para longe.
— Hahaha! Pensou que iria me enganar dessa vez? — Vogel zombou.
— É isso que você faz com a garota que te amou?! — Samantha perguntou enquanto se levantava com dificuldade.
— Eu não amo ninguém! Desapareça! — Vogel afirmou.
Abalada com a resposta, Samantha começou a chorar sentindo seu coração ser destruído, mas permaneceu determinada em destruir aquele monstro à sua frente.
Vogel atacou
com quatro foices de uma vez. Samantha tenta desviar,
mas se sentia presa por algo. Ela tentava se
mover, mas seu corpo não respondia ao seus comandos.
Apavorada, Ela olhou diretamente para as foices descendo
rapidamente em sua direção. Então, de repente, as
foices pararam.
—
Huh?! — Samantha
murmurou surpresa.
Samantha olhou para sua frente e viu Mayra de costas para Ela, segurando as foices com as mãos nuas.
— Sai daqui! — Mayra ordenou gemendo de dor.
— MAYRA?! — Samantha falou surpresa.
Mayra acertou um chute em Samantha, a empurrando para trás. Então, Ela soltou as foices, desviou, roubou uma delas e joga de volta em Vogel.
Com seus movimentos restaurados, Samantha se levantou, roubou outra foice e jogou em Vogel.
— Como você ousa?! Sua lésbica nojenta! — Vogel gritou furioso.
Em um ataque de fúria, Vogel abriu mais uma fenda no chão.
— Se a roxinha me ama, apenas chore, seu monstro! — Mayra provocou Vogel.
— Ela soube cuidar de mim, ao contrário de você! — Samantha também o provocou.
— AHHHHH!!! — Vogel gritou em fúria, sua voz ecoando por todo o tornado.
De repente, várias zumbis em chamas surgiram de dentro de Vogel e tentaram atacar as garotas, mas Elas contra-atacaram. Usando suas granadas, Samantha conseguiu explodir cinco zumbis antes que eles pudessem sequer se aproximar. Mayra, usando toda sua raiva, partiu para cima dos zumbis que estavam a cercando e os matou esmagando suas cabeças e pisando na cabeça daqueles que haviam caído. Consequentemente, parte de seu corpo acabou queimado, mas Ela não parecia se importar.
Vogel atacou com sua foice, mas Mayra segurou a barra da foice. Rapidamente, Samantha rouba a foice das mãos de Vogel.
— O QUÊ?! C-COMO? — Vogel gritou chocado.
— Você não vai arruinar a vida de mais ninguém! — Samantha exclamou com raiva.
Samantha correu em direção à Vogel com a foice em mãos, pulou sobre as fendas e o cortou ao meio, fazendo o corpo gigante desaparecer e seu corpo verdadeiro cair rolando pelo chão. As fendas se fecharam e o tornado desapareceu junto com as nuvens.
Samantha caminhou em direção a Vogel com a foice em sua mão.
— C-Como pode isso acontecer? Eu seria o ser mais poderoso do mundo! Todas essas almas eram minhas! — Vogel gritou espantado e furioso.
— Sua hora já acabou faz tempo, Vogel. Você não tem mais motivos para lutar.
— Mas eu tinha você! — Vogel gritou começando a chorar.
— Eu não preciso de você. Não mais. — Samantha falou friamente.
— Eu fiz tudo aquilo por você! Eu te amo! — Vogel gritou chorando e com raiva.
— Não foi isso que você disse minutos atrás. Além disso, sinto não poder dizer o mesmo. Já não preciso mais de você. Adeus, Vogel! — Samantha falou friamente, pronta para se livrar de Vogel.
Samantha corta o corpo de Vogel ao meio com sua foice, absorvendo sua alma no colar.
— Bem, tudo acaba bem quando termina bem. — Mayra brincou.
— Queria dizer o mesmo… Pena que você não vai poder voltar comigo. Seu corpo foi destruído… — Samantha a lembrou entristecida.
— Não se preocupe. O tempo que passei contigo valeu a pena. Tive uma vida bem vivida, graças a você. — Mayra falou tímida, mas com sinceridade.
— Me desculpe por ter sido tão cabeça dura com você. Eu sei o quanto você me amava. — Samantha falou entristecida, olhando nos olhos de Mayra pela última vez.
— Eu te desculpo. — Mayra falou com um sorriso no rosto.
— Me desculpe também por te dar tantos foras. Afinal, você sabe que mulher não é muito meu tipo… — Samantha falou com um pequeno sorriso no rosto, envergonhada.
— Te desculpo. Ninguém é obrigado a gostar do mesmo sexo. Mas obrigada por ter ficado comigo até no meu último dia. Amizades assim não se encontra todos os dias. Além do mais, aquele beijo fez tudo valer a pena. — Mayra brincou.
— Sim… — Samantha falou ficando muito tímida, sem saber o que fazer, olhando o local a sua volta. — Bem, acho que isso é uma despedida. — Terminou.
— Também acho. Vem cá. Me dá um último abraço. — Mayra pediu com gentileza.
Samantha pendurou a foice em suas costas e abraçou Mayra com força, dando um abraço longo e carinhoso.
— Espera, se você está aqui significa que você também não foi pra Nuvem das Almas. Está fugindo? — Samantha falou surpresa ao lembrar desse detalhe.
— Mais ou menos… Pode me mandar pra lá? Acho que já não tenho mais negócios pra resolver por aqui. — Mayra pediu dando uma leve risadinha.
— Claro. — Samantha afirmou sem ânimo. — Adeus, Mayra. Vou sentir saudades. — Terminou entristecida.
— Isso não é um Adeus. Quando sua hora chegar, vamos nos encontrar de novo. — Mayra falou a olhando com carinho.
— Não me faça ter vontade de morrer. — Samantha brincou dando uma leve risada. — Até outro momento. — Terminou.
Samantha encostou
o colar em Mayra e sua alma desapareceu em sua
frente.
—
Certo. Hora de voltar para meu corpo! —
Samantha falou
para si mesma.
Samantha segurou seu colar com força, a retornando ao seu corpo imediatamente.
De volta a si, Ela despertou com uma forte dor nas costas, na traseira do carro de Jackie em um estacionamento escuro.
— Mas que… O que estou fazendo aqui? O que é isso que… — Samantha falou surpresa e confusa.
Samantha colocou a mão em suas costas e sentiu uma barra de ferro. Ela saiu do carro e puxou a barra, descobrindo ser uma foice. A mesma foice que Vogel estava usando.
— Wow. Não sabia que ela viria comigo. Isso é ótimo!… JACKIE! — Samantha falou animada, mas mudando o tom imediatamente ao lembrar que Jackie ainda estava em apuros.
Samantha entrou no carro, o ligou e saiu do estacionamento. No camimho, Ela viu as nuvens vermelhas no céu vindo do oeste. Ela se dirigiu até o local de Jackie e o encontra em cima de um barranco atirando com uma metralhadora junto com John. Ela saiu do carro e subiu o barranco, dando de cara com um titã de água e tentáculos.
— Pelo amo da Deusa… — Samantha falou surpresa ao ver o tamanho da criatura.
— Samantha?! Você está bem? — Jackie falou surpreso ao ver Samantha.
— Acabou tudo? — John perguntou.
— Sim. Está tudo acabado. Só precisamos cuidar disso. — Samantha respondeu séria.
— Tem alguma ideia? — Jackie perguntou duvidando.
— Tenho. — Samantha respondeu neutra.
Sem qualquer aviso, Samantha puxou sua foice e a segurou firme.
— De onde você tirou essa foice?! — Jackie perguntou surpreso.
— Presentinho. — Samantha respondeu brincando.
A Foice começou a soltar uma fumaça escura. Samantha atacou verticalmente com a foice, lançando uma onda de energia escura, acertando o Titã e o fazendo desaparecer.
— Nossa… Que simples! — John falou surpreso, boquiaberto com a simplicidade e calma de Samantha.
— Se a nossa equipe estivesse aqui, talvez fosse mais fácil ainda. — Jackie comentou neutro.
Pouco a pouco, as nuvens no céu começaram a desaparecer e a ventania parou.
— É isso. Acabou. — Jackie falou conformado, abaixando sua arma.
— Acho que agora posso tentar ter uma vida normal. — Samantha suspirou aliviada.
— Você lembra que está no grupo? — Jackie perguntou a alertando.
— Você não sabe minha definição de normal. — Samantha respondeu brincando.
— Touche! — John brincou.
— Bem, vamos para casa. Preciso ligar pra equipe vir buscar a gente. — Jackie falou calmamente enquanto se despreguiçava e estalava suas costas.
— Certo. Vou esperar no carro. — Samantha avisou.
— Certo! — Jackie falou calmamente.
Samantha guardou a foice e desceu calmamente o barranco, indo em direção ao carro. Lá, Ela se sentou no banco de trás e deitou sua cabeça na janela, onde finalmente pôde descansar em paz. Enquanto isso, uma memória de anos passados veio a tona.
Algum Lugar da Noruega
18 de Julho de 2021
Samantha e Vogel caminhavam juntos por uma floresta coberta em neve em busca de comida. Até que, após muita caminhada, eles encontram uma pequena caverna.
Abrigados contra o frio, eles fazem uma fogueira e sentam-se ao redor.
— Que fome! Onde vai ter comida nessa droga de floresta? — Samantha resmungou enquanto tremia de frio.
— A gente dá um jeito. Alguma vez eu já menti pra você? — Vogel falou confiante.
— Existe uma primeira vez pra tudo… — Samantha falou desanimada.
Vogel discretamente começa a se mover para perto da Samantha até os dois se encostarem.
— E se eu prometer para você que depois que tudo isso acabar, vamos nos casar e ter nossa vida perfeita? — Vogel sussurou em seu ouvido.
— Você não faria isso. Você não gosta de casamentos! — Samantha falou rindo.
— Bem, existe uma primeira vez pra tudo, certo? — Vogel ironizou enquanto abraçava Samantha por trás.
Vogel e Samantha se beijaram no chão da caverna. Enquanto isso, o calor da fogueira fez parte do gelo em seu interior derreter, molhando eles mas deixando a fogueira intacta.
— Ahh! — Samantha gritou assustada e molhada. — Amor, me promete que não vai fazer algo assim no nosso casamento? — Perguntou rindo, mas trêmula.
— Não se preocupe, onde a gente vai se casar não vai ter gelo. — Vogel falou rindo enquanto abraçava Samantha mais forte.
Dia atual
— Vogel… Seria mentira dizer que não te amo. Vou sentir saudades de você, seu monstro. — Samantha entristecida, com a cabeça encostada na janela. Então, algumas lágrimas desceram pelo seu rosto, mas manteve sua compostura.
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